A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 20/11/2019

Na série televisiva brasileira “A Grande Família”, o enredo retrata as dinâmicas sociais e os atritos típicos da configuração familiar brasileira do século XXI. Nesse contexto, surge Tuco, o filho mais novo da família Silva. Assim, sendo criado sem grandes noções de objetivos e responsabilidades, o rapaz acabou por crescer avesso ao estudo e sustentado pelo pai Lineu. Não tão distante, a conjuntura hodierna do Estado Nacional revela-se tão problemática quanto a do seriado, na medida em que grande parte da população jovem encontra-se incapacitada de estudar ou realizar atividades que garantam a subsistência própria. Logo, nota-se que a situação persiste cristalizada, seja nas condições estruturais inerentes à ineficiência administrativa, seja nas características socioeconômicas do Brasil.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a falha do Poder Público em fornecer garantias de caráter constitucional, necessárias para a concretização do indivíduo dotado de direitos e deveres, está no cerne da problemática. Parafraseando o filósofo prussiano Immanuel Kant, é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade. Partindo deste pressuposto, pode-se afirmar que a insuficiência no fornecimento equitativo de ensino de qualidade afeta a capacidade do indivíduo de alcançar melhores oportunidades de vida e trabalho. De maneira análoga, os altos índices de desemprego e a baixa variedade de atividades remuneradas corroboram para a imobilidade social.

Ademais, é indubitável que as circunstâncias socioeconômicas nacionais, marcadas pelas desigualdades setoriais e regionais são fatores intrínsecos à realidade crítica da juventude. Analogamente, durante a maior parte da Idade Média e Moderna, as mulheres não eram permitidas a buscar educação nem realizar trabalhos fora da esfera familiar, sendo restringidas às tarefas domésticas e maternas. De maneira similar, a juventude brasileira enfrenta limitações que comprometem a realização de atividades instrutivas e laborais, ligadas essencialmente ao subdesenvolvimento do Estado. Tais restrições referem-se às desigualdades, preconceitos e carências  usuais enfrentandas pela população, que reforçam uma relação de servidão e degradação coletiva.

Tendo em vista os fatos supracitados, conclui-se que as dificuldades dos jovens em trabalhar e estudar estão atreladas a fatores socioeconômicas. Logo, medidas devem ser tomadas para mitigar a problemática. É imperativo que o Governo Federal por intermédio do Poder Legislativo, associado ao Ministério da Educação e ao Ministério da Economia, aprove um plano orçamentário em parceria com o setor privado, prevendo a abertura de mais vagas de emprego em áreas variadas, visando o emprego isonômico. De mesma maneira, investimentos devem ser realizados na ampliação das instituições de ensino,  fomentando a instrução intelectual plena dos jovens. Assim, a harmomia poderá ser alcançada. .