A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 12/12/2019
Com o avanço das tecnologias de controle de natalidade e a consequente tendência à inversão da pirâmide etária, muita atenção vem sendo dada a uma parcela específica da população, são os infames “nem-nems”, jovens que nem estudam, nem trabalham. As estatísticas alarmam, o Ipea estima que 23% dos brasileiros com idade entre 15 e 24 anos encontram-se nessa situação. Entretanto, essas pouco dizem acerca da dura realidade enfrentada por uma juventude desinformada e desamparada.
Em primeiro lugar, verifica-se que, diferentemente do que críticos fervorosos alegam, a maioria desses jovens não deixa de desenvolver sua escolaridade por desleixo ou preguiça, mas, sim, em razão da falta de informação. Em pesquisa realizada pelo Ipea, em parceria com a IRDA e o IBID, constatou-se que grande parte dos “nem-nems” não estão cientes da real importância dos estudos para a conquista de maiores remunerações no meio profissional. Essa falta de perspectiva leva os jovens a acomodarem-se com baixos níveis de escolaridade, o que, por turno, acaba privando-os de diversas oportunidades de inserção no mercado de trabalho.
Ademais, o que uma análise rasa da estatística pode não revelar, é que a maioria desses jovens, aparentemente desocupados, na realidade tem seu tempo e esforços exauridos por obrigações domésticas/familiares. Segundo a mesma pesquisa indicada no primeiro parágrafo, o principal motivo apontado pelos jovens como responsável pela impossibilidade de inserirem-se no mercado de trabalho formal, são obrigações domésticas, mais especificamente, as relativas a seus próprios filhos. Incapazes de contar com creches ou escolas estatais, os jovens frequentemente abrem mão de oportunidades de emprego para poderem cuidar de seus próximos, esse fenómeno é especialmente danoso para a sociedade brasileira, pois também acarreta a perpetuação de desigualdades. Os principais afetados são jovens que não tem condições de arcar com os custos dos serviços de cuidado particulares, ao passo que aqueles que já gozam de condições financeiras mais privilegiadas dispõem do tempo e da energia para conquistarem as melhores vagas de emprego.
Diante do exposto, percebe-se que a solução para essa questão está reside na disponibilização do devido suporte para esses jovens. Cabe aos cidadãos brasileiros exigir de seus legisladores a criação de uma política de incentivo ao desenvolvimento de creches corporativas, a partir da instalação dessas, os jovens poderão dedicar-se à sua carreira profissional com plenitude, tranquilos por saberem que seus filhos estarão recebendo os devidos cuidados. Além disso, é fundamental que as instituições educacionais promovam campanhas que visem informar os jovens desavisados acerca das vantagens financeiras e profissionais proporcionadas pelos estudos, utilizando-se, para tanto, das redes sociais.