A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 23/01/2020
O antropólogo Darcy Ribeiro disse certa vez que a classe dominante brasileira sempre teve medo de uma rebelião dos escravos. Entretanto, são as desigualdades sociais do sistema econômico que podem a qualquer momento manifestar-se através de uma agressividade coletiva devastadora. Hoje no país, conforme uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) de 2018, 23% dos jovens brasileiros não estudam e nem trabalham. Dessa forma, por que essa geração nem-nem é uma verdadeira bomba-relógio com risco de uma grande explosão de violência no Brasil?
A priori, verifica-se que a maioria dessa juventude não se interessa pelos estudos. Nesse sentido, inúmeros jovens não têm uma boa preparação para empresas cada vez mais exigentes, assim, sem o aprendizado essencial, principalmente no campo técnico, eles encontram enormes barreiras para se colocarem no mercado de trabalho. Além do mais, os programas governamentais, a título de exemplo, Jovem Aprendiz não desenvolvem as competências profissionais de jovens em vulnerabilidade social, possibilitando a sua inserção no mercado de trabalho, devido ao grande número de aulas irrelevantes e a ausência de cursos mais atuais. Dessa maneira, julgam melhor continuar na casa dos pais, tornando-se uma população juvenil muito instável, uma vez que a ociosidade faz divisa com a delinquência.
Ademais, seguindo a mais poderosa lei do universo, em que semelhante atrai semelhante, observa-se a formação de grupos juvenis que não estudam e nem trabalham. Em virtude disso, a maior parte desses adolescentes que estão fora do ambiente escolar ou excluídos do mercado de trabalho ficam mais vulneráveis ao aliciamento de criminosos, já que sem ter o que fazer, ficam suscetíveis às mais variadas tentações, seguindo a máxima de Platão que “de todos os animais selvagens, o homem jovem é o mais difícil de domar”. Dessa forma, raramente esses indivíduos livram-se da criminalidade, visto que a maioria não consegue encontrar uma ocupação e, com o desparecimento das esperanças, o risco da violência aumenta.
Fica claro, portanto, que jovens não estudarem e nem trabalharem é uma bomba-relógio preste a explodir no país. Logo, competem aos pais auxiliarem os filhos a descobrirem seus interesses, habilidades e aspirações através de um diálogo aberto para saber o que mais gostam de fazer, a fim de orientá-los para se afastarem da estagnação escolar ou profissional. Outrossim, as escolas por meio de parcerias com coordenadores e professores, devem deixar os pais a par do desempenho escolar e do modo de ensino mediante reuniões mensais, com o intuito de mostrar o que os filhos estão aprendendo para desenvolverem o senso de responsabilidade dos mesmos. Só assim esse exército de jovens será conduzido para o bem e não para o mal.