A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 11/04/2020
Origens e efeitos do fenômeno dos jovens que não estudam nem trabalham
No filme Cidade de Deus, que retrata a realidade das periferias brasileiras, um grupo de jovens sem ocupação comete atos de violência, tornando-se criminosos. Atualmente, milhões de indivíduos de 18 a 29 anos encontram-se vulneráveis a essa mazela, pois não estudam nem trabalham em razão da carência socioeconômica e da falta de assistência do Estado.
Primeiramente, deve-se considerar que os jovens das classes econômicas mais baixas são os mais desocupados, de acordo com levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, de 2018. Isso reflete as desigualdades sociais vigentes no Brasil, que provocam a marginalização dos menos favorecidos, os quais têm dificuldade no acesso à educação, o que resulta em menor nível de qualificação profissional e, consequentemente, maior dificuldade de acesso ao mercado de trabalho. Por consequência, estes indivíduos têm o desenvolvimento intelectual e profissional dificultados.
Tal conjuntura deriva da falta de apoio estatal. De acordo com o filósofo Artur Schopenhauer, as pessoas tomam os próprios limites de visão como limites do mundo. Logo, estes que se encontram em situação de vulnerabilidade têm ínfimas perspectivas e oportunidades de melhorar suas condições através do emprego ou estudo, cabendo ao Estado, portanto, a função de orientá-los e assisti-los. Caso contrário, as desigualdades sociais são perpetuadas, de modo que mazelas como a criminalidade possam ser o destino desses jovens.
Finalmente, ao analisar a problemática dos jovens que não estudam nem trabalham, conclui-se que o Governo Federal, pelo Ministério da Educação, deve articular-se com ONGs e órgãos públicos estaduais e municipais voltados à juventude, para implementar o Programa de Desenvolvimento Juvenil, que deve ofertar bolsas a estudantes, cursos técnicos, profissionalizantes, pré-vestibulares e intermediar a contratação por empresas, que devem ser incentivadas pela redução de impostos em suas receitas. Assim, o Estado cumprirá seu papel de zelar pela juventude, evita-se que o enredo do filme Cidade de Deus seja repetido, além de causar ruptura no ciclo de perpetuação das desigualdades sociais.