A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 20/02/2020

Existe, ainda, no Brasil, uma ideia errônea que os jovens chamados de “nem-nem”, ou seja, aqueles que nem estudam nem trabalham, são inúteis ou preguiçosos, quando na verdade estes são consequência da negligência com o ensino público do país.

Primeiramente, vemos que, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada- Ipea- 23% dos jovens brasileiros se encontram nessa situação, e em sua maioria mulheres de baixa renda, portanto é evidente que tal barreira se ergue de acordo com gênero e condição financeira.

Segundamente, vemos os motivos que levam os jovens a desistirem de suas vidas profissionais, dentre eles temos a dificuldade de locomoção, uma vez que, os mais afetados dependem do transporte público e este já não garante a segurança, a discriminação das mulheres por parte dos potenciais empregadores que, ao possuir o conhecimento de que a possível empregada é mãe, já a descarta do processo seletivo por saber que, para ela o trabalho não será prioridade diante dos filhos, e ainda aqueles jovens que mesmo sem filhos estão presos ao trabalho doméstico ou ao sustento da família, sendo assim, falta disponibilidade de tempo para a qualificação.

Terceiramente, vivemos no Brasil um período pós explosão demográfica, ocorrida no século XX, ou seja, o número de pessoas, consequentemente jovens, aumentou repentinamente, portanto, numa visão econômica isto é positivo, uma vez que, é evidente que a quantidade de mão de obra aumenta levando a um aumento de produção gerando lucro ao país. Porém, infelizmente, no Brasil, essa população não foi preparada para as transformações tecnológicas, assim não atendem a demanda do mercado de trabalho. Por isso as pesquisas realizadas mostram um número elevados de desempregados que posteriormente partiram para o trabalho informal, se submetendo a perda de seus direitos como trabalhador, uma vez que, este não possui a carteira assinada.

Diante dos fatos mencionados, se faz necessário a criação de políticas públicas, por parte do Superministério da Cidadania, que assegure os direitos dos desempregados de forma mais efetiva com o aprimoramento de projetos como o “Seguro Desemprego”, e ainda aumente a oferta de cursos técnicos, juntamente com o Ministério da Educação, com o objetivo de viabilizar a participação do jovem no mercado de trabalho. Além disso, é importante a facilitação do acesso à informação sobre as oportunidades e como estas podem melhorar sua condição de vida por meio da criação de uma rede social, por exemplo, que atualize, comunique e incentive o trabalhador sobre como e onde ele buscar uma qualificação e sobre seus direitos e deveres enquanto trabalhador.