A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 03/03/2020

Tem crescido nos dias atuais o número de jovens que nem estudam nem trabalham, dando origem a um fenômeno denominado “geração nem-nem”. No Brasil, segundo dados apresentados pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), quase um quarto dos jovens se enquadram nessa situação, e tem sido observado um aumento desse número desde 2012. Esse alto índice de desocupados e desempregados pode ser explicado, principalmente, pelos inúmeros casos de evasão escolar e pelo difícil acesso ao mercado de trabalho, e resulta em problemas econômicos e sociais.

Em primeiro lugar, a evasão escolar é dada como uma das causas para a ascensão desse fenômeno pois, devido à falta de interesse e de recursos na escola e, muitas vezes, à gravidez na adolescência, muitos jovens param de frequentar as aulas antes mesmo de completarem o ensino médio. Dessa maneira, passam a fazer parte do grupo dos que não estudam e, como consequência, encontram dificuldades de inserção no mercado de trabalho. De acordo com pesquisas realizadas pela Fundação Getúlio Vargas, a maior parte dos brasileiros que se encaixam nesse perfil fazem parte da população de baixa renda, corroborando para a manutenção do “ciclo da pobreza” - termo da economia que indica uma série de fatores pelos quais a pobreza é perpetuada.

Entretanto, o problema não se resume apenas a aqueles que não concluem a educação básica. Muitos jovens tem abandonado a graduação por dificuldades financeiras , já que não encontram oportunidades de emprego para se sustentarem durante a faculdade, assim, não trabalham nem estudam. Nesse caso ,é válido ressaltar que conforme os geógrafos, o Brasil se encontra na “janela demográfica” - período em que há uma grande disponibilidade de mão de obra e um pequeno número de pessoas em idade de dependência -, e deveria usar essa oportunidade para movimentar a economia através da mão de obra qualificada e da geração de empregos, porém devido aos nem-nens e à crise econômica, esse momento não está sendo aproveitado.

Sendo assim, tendo em vista as causas e as consequências do grande número de jovens sem trabalhar e sem estudar, são necessárias medidas que contribuam para a redução desse grupo. Dentre as providências, cabe ao Ministério da Educação investir em projetos que diminuam a evasão escolar, por meio de aulas que cativem os alunos, por exemplo através da mescla entre teoria e cotidiano, por meio de palestras que visem minimizar os casos de gravidez precoce e por meio de oficinas que mantenham os estudantes na escola por mais tempo. Junto a isso, o Governo Federal deve aprovar programas que facilitem o acesso ao mercado de trabalho, através da criação de vagas exclusivas para primeiro emprego e estágios, que devem ser divulgadas nas escolas e nas faculdades.