A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 25/03/2020

A obra “A educação e a crise brasileira” reúne ensaios de Anísio Teixeira, intelectual e educador, que abordam a crise educacional no Brasil com base nas relações entre estrutura de ensino e o impacto da estratificação social sobre às oportunidades. Nesse contexto, uma proposta pedagógica assertiva e políticas de assistencialismo precisam ser discutidas a fim de reduzir os altos índices de jovens ociosos no país.

A princípio, a obra faz alusão a John Dewey, filósofo e pedagogista precursor do pragmatismo na educação, que defende a validade e o desempenho do ensino determinados pelo êxito prático, ou seja, é importante que o ensino esteja alinhado à experiência prática do conhecimento, uma vez que, segundo a revista Reuters, o mercado de trabalho tende a absorver melhor jovens que tenham adquirido experiência ao longo dos estudos. Por exemplo, alunos que trabalharam no Programa Jovem Aprendiz ou estudantes com estágios extracurriculares.

Outrossim, sob a perspectiva do sociólogo Pierre Bourdieu, o acesso à educação é uma legítima representação que evidencia as desigualdades existentes entre classes sociais. Isso significa que, apesar de a Educação ser um direito inalienável, fatores socioeconômicos dificultam o acesso ao ensino e, por conseguinte, qualificação da mão de obra. Fato evidenciado pelo último censo realizado pelo IBGE, o qual revelou que um quinto dos jovens abandonaram os estudos pela necessidade do ingresso precoce no mercado de trabalho informal.

Portanto, é necessário que o governo possibilite a aplicação prática do conhecimento, por meio do aparelhamento de laboratórios, a fim de possibilitar a experiência prática aos alunos. Ademais, o Estado, mediante parcerias público-privadas, precisa ampliar os programas sociais, abrindo editais com remuneração para estágios extracurriculares em empresas interessadas; o propósito é inserir o estudante no mercado de trabalho, reduzindo os índices de jovens que não estudam nem trabalham. Assim, atenuar-se-á a crise educacional outrora explanada por Anísio Teixeira.