A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 01/04/2020
As pessoas que nem trabalham, nem estudam, no Brasil são socialmente classificadas como ociosas e improdutivas. De acordo com a filósofa Hannah Arendt em sua obra “A banalidade do mal”, quando atitudes depreciativas ocorrem de maneira constante, elas param de ser classificadas como incorretas. Sob essa ótica, têm-se que esses jovens, aparentemente “inativos”, são culpabilizados pela situação em que encontram, e a falta de apoio governamental em adição a escassez de políticas públicas para auxílio a estes indivíduos (que são os verdadeiros problemas), são ignorados.
Dados da pesquisa “Millennials na América e no Caribe: trabalhar ou estudar?”, que foi feita baseando-se em jovens latino-americanos, evidenciaram que 31% desse grupo, apelidado de nem-nem, está à procura de trabalho. Além disso, a mesma pesquisa mostra que cerca de 64% deste grupo dedica-se a atividades domésticas. Tais conjecturas refutam as afirmações de que a maioria dos jovens que se encontram nessa situação não possuem obrigações ou responsabilidade, pelo contrário, muitos deles não conseguem conciliar as imposições dessas outras atividades com os estudos ou trabalho.
Ademais, sabe-se que a maioria dessas pessoas (que são majoritariamente mulheres) possui baixa renda por conseguinte, não detêm acesso à educação de qualidade. Eles não possuem a preparação e capacitação necessária para conseguir ingressar ativamente no mercado de trabalho. No filme “Como eu era antes de você”, tal situação é exemplificada ao mostrar todo o círculo familiar (que é constituída de pessoas de classe mais pobre) da personagem principal Louisa. São descritos; a mãe dela, que decidiu parar de trabalhar para cuidar do avô doente, o pai que foi demitido devido à crise financeira, e a irmã que optou por abandonar a faculdade para criar o filho pequeno. Todos passam a depender financeiramente de Lou, que abandona o sonho de fazer faculdade para sustentar a família, fato que a impede de qualificar-se profissionalmente e conseguir um trabalho melhor.
Destarte, para que tais problemas sejam mitigados, é necessário que o Ministério da Educação institua um programa de capacitação e preparação dos jovens mais desfavorecidos para o mercado de trabalho e para as faculdades. Este programa deverá ocorrer durante o ensino médio no período do dia em que não houver aula, ele deve incluir palestras sobre a importância da formação acadêmica e da preparação laboral, afim de evitar as altas taxas de evasão escolar. Só assim, os jovens de classes mais baixas terão a oportunidade de se preparar para o futuro, e o número de nem nem poderá diminuir no país.