A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 18/04/2020
Expressão de origem inglesa, “nem nem”, surgiu para designar a população jovem de um país que nem estuda e nem trabalha. Esse neologismo se globalizou e no Brasil, atualmente, existem 11 milhões de pessoas que se enquadram nesse perfil, de acordo com dados do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (IPEA). Tal problemática deu origem a uma “geração de excluídos”, jovens entre 15 a 29 anos de idade que estão inseridos em um contexto sócio econômico desfavorável, além de fazerem parte de um sistema educacional deficiente e obsoleto.
A crise econômica desencadeada em 2015 foi sem dúvidas, um fator crucial para o “boom” de nem nens no país. Isso pode ser constatado através de uma significativa parcela jovem da sociedade que está fora do mercado de trabalho, o que à priori se deve à dificuldade de ingresso ao primeiro emprego. Além do mais, o uso crescente de tecnologias mais avançadas nos setores de empregabilidade contribui de certa forma, para a falta de qualificação profissional. Surge com isso, uma geração desiludida, sem perspectivas, com consequências sociais de diversas naturezas, dentre essas, situações de vulnerabilidade, em que por exemplo, muitos acabam optando pela criminalidade ou ainda, podem diante desse problema, desenvolver transtornos de ordem psicológica como a depressão, por exemplo.
O grande escritor Paulo Freire já dizia: " é através da educação que se pode mudar uma sociedade". Fazendo uma analogia a isso, o atual sistema educacional brasileiro clama por mudanças, desde sua base até o ensino superior. A geração nem nem é prova substancial desse fato, já que a evasão escolar é frequente, principalmente, entre o público adolescente. Ademais, uma outra parcela de jovens tem seu sonho de ingresso à universidade “roubado”, já que muitos ainda convivem com a falta de condições financeiras para o custeio de uma faculdade particular ou ainda há, por parte do governo federal, a diminuição da oferta de bolsas ou programas de acesso ao ensino público superior.
Dessa forma, essa classe de excluídos, que nem estuda e nem trabalha, convida o país a olhar a problemática em sua complexidade, através de maior necessidade de investimentos em políticas públicas intersetoriais. Uma das alternativas seria a reforma nacional do ensino pelo Ministério da Educação, que à médio prazo, pudesse ofertar uma base curricular pautada na introdução precoce de ciência e tecnologia, a fim de tornar o ambiente escolar mais capacitado, bem como mais atrativo, dentro da necessidade de se estabecer vínculos sociais . Baseado nessas premissas, o jovem brasileiro estaria, sem dúvidas, mais apto a ingressar no ensino público superior, bem como melhor preparado para o mercado de trabalho, e com isso contribuir para fortalecer o cenário econômico. nacional.