A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 09/04/2020
O artigo 6º da Constituição de 1988 garante a educação e o trabalho a todos. Não obstante, os altos índices de jovens que nem estudam e nem trabalham, motivados pela falta de capacitação da juventude e pelo desemprego, indicam o descumprimento das diretrizes constitucionais. Diante disso, cabe questionar: qual a necessidade de combater esse fato social? Como mitigá-lo?
Em primeira análise , vale ressaltar que o despreparo educacional dos jovens é causado pela baixa qualidade do ensino público brasileiro. Isso porque, as escolas públicas, normalmente, não apresentam aplicações para a utilidade do conteúdo exposto, nem há uma preparação direta ao mercado de trabalho, fato que desmotiva o aluno a se manter na educação formal. Nesse sentido, Paulo Freire, patrono da educação brasileira, acreditava que ensinar era capacitar os estudantes a produzirem seu próprio conhecimento, ou seja, fazê-los entender a aplicação prática da teoria. Dessa forma, para que a geração nem-nem possa se capacitar em melhores oportunidades de emprego, é preciso que a educação seja voltada à intenção de possibilitar esse direcionamento.
Além disso, é necessário observar que o desemprego é um dos motivadores para o alto número de jovens sem perspectivas, já que, sem oportunidade de trabalho, não há como essa parcela da sociedade exercer as suas capacidades. Nesse aspecto, o sociólogo Émile Durkheim entendia como patologia todo fato social que ocorria de maneira excessiva no coletivo. Convergente a isso, o elevado desemprego pode ser entendido como patológico, visto que, cada vez mais, alcança níveis alarmantes e prejudica o futuro da geração nem-nem. Desse modo, políticas públicas que facilitem a criação de empregos e de empresas são essenciais para a garantia do trabalho a essa população.
Portanto, diante da precariedade do ensino e da falta de emprego à geração nem-nem, infere-se a necessidade de mudanças. Para isso, o MEC deve criar um plano de ampliação do ensino técnico a todos os adolescentes da rede pública, de modo a oferecer diversidade de cursos, que devem designar o aluno à carreira desejada, com o fito de, após a conclusão do curso, o estudante tenha a capacidade de ingressar em uma área de mercado e produzir conhecimento, como visava Paulo Freire. Ademais, o Poder Público precisa facilitar a criação de empregos e de micro empreendimentos, por meio da diminuição de impostos em novas empresas, a fim de diminuir essa patologia social e gerar opções aos jovens. Somente assim, será plenamente efetivado o artigo 6º da Constituição e o futuro dessa geração não será perdido.