A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 22/04/2020

Atualmente, no século XXI, no Brasil, diversos fatores sociais preocupam o governo em esfera econômica e, entre eles, estão os popularmente chamados “nem-nens”, que correspondem à parcela da população que não está inclusa no meio educativo nem no mercado de trabalho. Essa parte da sociedade, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, representa quase 25% dos brasileiros, cerca de 7 milhões de pessoas. Certamente, esse alto índice ocorre, sobretudo, devido a aspectos históricos e sociais presentes na construção da identidade brasileira, fortemente demarcados pelo preconceito e pela discriminação.

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que até o século XX, o papel social da mulher se limitava aos afazeres domésticos, sendo a elas negados o acesso à educação e ao mercado de trabalho. A exemplo disso, no Código Civil de 1916, para as mulheres, a prática de atos, bem como o trabalho, dependiam do consentimento de seus maridos. Como resultado disso, atualmente, quase 70% dos indivíduos latino-americanos que nem trabalham nem estudam são mulheres, conforme dados fornecidos pelo El País. Dessa forma, fica explícita a maneira como a persistência de preconceitos existentes na sociedade contribui para a redução da presença feminina no mercado de trabalho.

Além disso, vale salientar que, no período da colonização, famílias mais afortunadas enviavam seus filhos para a Europa, onde tinham melhor formação, enquanto os jovens de classe baixa ficavam na colônia, sob condições inferiores, ou até mesmo sem estudos. Análoga a isso está a atual situação do Brasil: considerado pela Organização das Nações Unidas, ONU, uma das nações mais desiguais do mundo, o país tem a maior parte da sua população pertencente às camadas mais baixas da sociedade e, assim, a educação torna-se restrita. Como prova disso, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, menos de 30% dos alunos de escolas públicas entraram na faculdade.

Em síntese, a alta taxa de jovens que nem estudam nem trabalham é consequência de aspectos históricos e sociais do Brasil e, por isso, precisa ser combatida. Logo, cabe ao Ministério do Trabalho, por meio de leis de cotas, promover a inclusão da mulher no mercado de trabalho, a fim de dar a ela autonomia e independência. Ademais, o Ministério da Educação, MEC, deve, mediante investimento filantrópico, fornecer bolsas estudantis em escolas particulares aos alunos de baixa renda, com o intuito de ampliar o seu acesso à educação de qualidade. Dessa maneira, com essas medidas, espera-se aumentar o alcance da população brasileira à educação e, consequentemente, seu ingresso no mercado de trabalho, combatendo, assim, o alto índice de jovens “nem-nens” no país.