A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 01/05/2020
Segundo Paulo Freire, ensinar não é transmitir conhecimento, mas criar as possibilidades para sua própria produção ou a sua construção. Nesse sentido, é evidente a importância que a educação desempenha no indivíduo e na sociedade brasileira. Contudo, a falta de políticas públicas e a grande desigualdade social presente no Brasil, permitiram que muitos jovens, atualmente, não estudem e nem trabalhem, logo, receberam o nome de “geração nem-nem”. Dessa forma, é fundamental o engajamento do Estado diante do problema, pois podem acarretar complicações à longo prazo.
Conforme a definição, políticas públicas são conjuntos de ações e decisões tomadas pelos governos, que visam assegurar determinado direito previsto pela constituição. Nesse contexto, a ausência dessas políticas resultam no aumento do número de jovens brasileiros que se encontram nessa situação, visto que causam um desinteresse pelo mundo do estudo e do trabalho. Desse modo, a organização Verde Vida, através de pesquisas, identificou que a falta de infraestrutura das escolas e espaços de lazer resultavam em um enorme percentual de evasão escolar e, consequentemente, menor oportunidade no mercado de trabalho. Nessa perspectiva, os 11 milhões de “jovens nem-nem” estão em uma situação sem expectativa de melhora, o que se torna preocupante, haja vista que a força de trabalho do país está ficando cada vez mais velha.
Outrossim, a desigualdade social é um grande fator que contribui para o alto número de pessoas que estão nesse impasse, chegando a atingir 23% do total de jovens do país, segundo o IBGE. Nesse ínterim, grande parcela desses indivíduos não possuem uma boa condição financeira e estão sujeitos a ambientes com maior violência, piores infraestruturas e pouco suporte familiar, assim dificultando que as aspirações profissionais dos jovens se realizem. Conforme o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o Brasil era o nono país do mundo co maior desigualdade de renda, o qual explica o baixo índice de término do Ensino Médio e, por conseguinte, a dificuldade de inserção no mercado de trabalho.
Portanto, é necessário que o Estado tome providências para resolver o impasse. Assim, para mitigar a quantidade de “jovens nem-nem” no Brasil, urge que o Governo Federal crie, por meio de leis orçamentárias, políticas públicas de infraestrutura, direcionando as verbas para as escolas e universidades, a fim de garantir o interesse dos jovens na educação. Além disso, é mister a expansão do acesso dos cursos superiores, tal qual aumentar as ofertas de cursos técnicos, com o intuito de garantir maior preparação dos jovens para o mercado de trabalho. Dessa maneira, esse grande problema será amenizado, evitando gravidades econômicas futuras.