A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 09/05/2020
O sociólogo Immanuel Kant afirma que o homem é o único animal que precisa trabalhar e, ainda, buscar o conhecimento. Entretanto, hodiernamente, percebe-se a configuração de uma geração que vai de encontro com isso, isto é, os jovens que nem trabalham nem estudam - conhecidos como “nem-nem”. Diante disso, medidas são necessárias para combater os altos índices de adolescentes nessa situação. Nesse sentido, é preciso entender o contexto do problema, que persiste influenciado pelas poucas oportunidades de trabalho e pela gravidez precoce.
A princípio, o artigo 6 da Constituição Federal determina o trabalho como um direito social. No entanto, esse conceito se encontra deturpado, em virtude da falta de uma política de inclusão dos adolescentes no mercado de trabalho. Sob essa ótica, é notória a falta perspectiva do jovem contemporâneo, devido ao baixo incentivo governamental na sua qualificação profissional, logo, muitos não planejam uma profissão, porquanto observam isso como uma visão utópica diante do cenário da falta de oportunidades. Dessa forma, o não cumprimento do dever do Estado na valorização da capacitação do jovem provoca o aumento dos índices da geração “nem-nem”.
Outrossim, Immanuel Kant também afirma que “o homem é aquilo que a educação faz dele”. De fato, a educação é relevante na transformação do cenário da gravidez precoce. Contudo, os veículos digitais, importantes na formação social, são pouco usados no sentido de promover a educação sexual, ou seja, a instrução, principalmente, às meninas sobre a necessidade de se prevenir, uma vez que a gravidez precoce provoca a interrupção dos seus estudos e, consequentemente, dos planos profissionais. Sabendo disso, é nítido que a gestação na adolescência é um dos fatores para o aumento da população “nem-nem”, tendo em vista que a menina precisa ficar em casa e se preocupar com os cuidados da prole. Dessa forma, é imprescindível o maior investimento do governo no sentido de transformar essa realidade feminina pela educação, porquanto, parafraseando o sociólogo, “a mulher é aquilo que educação faz dela”.
Destarte, cabe ao Ministério da Educação, aliado às Secretarias do Trabalho, a criação de uma campanha chamada “Educar para Trabalhar”, em que deve ser ampliado o número de escolas técnicas, mediante a oferta de diversos cursos de formação profissional e, inclusive, parcerias com empresas privadas que ofereçam vagas de emprego, com o intuito de proporcionar aos jovens uma perspectiva profissional e, com isso, engajá-los no mercado de trabalho. Além disso, o Estado precisa utilizar as mídias digitais para educar as meninas quanto a necessidade de prevenir-se da gravidez precoce, por intermédio de depoimentos de mulheres que passaram por uma gestação na adolescência.