A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 11/05/2020

A globalização, embora reiterada como substantiva simbologia de progresso, por projetar, no capital especulativo, a soberania tecnológica intrínseca ao êxito neoliberal das nações dominantes, faz-se, à medida que vulnerabiliza direitos sociais, uma ameaça permanente ao Estado social-democrata, cuja garantia é, inclusive, constitucional. Assim, enfatiza-se a estruturação econômica em interesses antipro- gressistas como a essencial produtora da geração não engajada, de modo a tornar necessárias políticas mitigadoras dessa conjuntura, sobretudo pelo reconhecimento de seu alicerce em desiguais contextos de oportunização no meio produtivo e na formação educacional culturalmente construída.           Sob esse viés, conforme o pensamento marxista, a constituição, pela própria economia, da população não integrada ao setor de produção é estratégica por vulnerabilizá-la tão intrinsecamente a ponto de convertê-la em mercadoria e legalizar sua exploração na precarização e no subemprego. No entanto, é preciso analisar que essa conjuntura se fundamenta, essencialmente, no processo de alijamento do ser, isto é, de imposição de uma condição subcidadã, que, segundo o sociólogo Jessé Souza, culmina na negação do direito à produção de habilidades cognitivas e socioemocionais, estrategicamente as responsáveis por capacitar produtiva e socialmente o indivíduo, de modo a estigmatizá-lo e excluí-lo até do valor de cidadania. Assim, a importância de políticas sociais isonômicas se deve à desestruturação, nesse sentido, da lógica de reprodução da força não engajada em prol da subsequente mais-valia e em detrimento da justiça social que fomente, no viés democrático, a oportunização equânime e irrestrita.          Outrossim, é preciso reconhecer que a não consolidação da cultura do direito à educação, isto é, à vivência significativa do processo de ensino-aprendizagem configura, conforme a dialética freireana, o não desenvolvimento de sujeitos dotados do capital simbólico inerente à construção de sua autonomia e emancipação. Diante disso,é coerente que a configuração crescente dos onze milhões de integrantes  da geração “nem-nem” (IBGE) seja viabilizada por uma política não comprometida com a formação cidadã sequer no espaço escolar, já que não é estimulado, de fato, o exercício da reflexão-ação, que propõe a construção identitária aliada ao conhecimento e essencial à qualificação profissional, cidadã.       Destarte, para que seja mitigado o índice de indivíduos não engajados, é necessária, inicialmente, a desconstrução pública da cultura estigmatização, para que, então, o Ministério da Educação reestruture o sistema de ensino, de modo a adaptá-lo às necessidades dos alunos, por meio da organização, por pedagogos freireanos, de metodologias, currículos e táticas de aprendizagem mais flexíveis, coerentes á vivência do aluno, pare que, então, a construção de sua identidade e autonomia alicerce amplas qualificação profissional e participação política, humanizando quem do plano democrático fora alijado.

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