A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 13/05/2020

Segundo o escritor Henry Miller: “Um gênio a procura de emprego: eis aí uma das visões mais tristes deste mundo. Não se encaixa em lugar nenhum, ninguém o quer. É desajustado, diz o mundo.”, um grande trecho de um de seus livros que retrata um cenário preocupante no Brasil, atualmente, cresce a geração de jovens “nem-nem”, nem estudam e nem trabalham, ocasionalmente, o desemprego, barreiras pessoais e a falta de oportunidades para os adolescentes é um dos empecilhos que os desfavorecem e os colocam nessa situação.

De acordo com dados do IBGE cerca de 11 milhões de jovens entre 19 a 25 anos não estudam nem trabalham. Pessoas que não encontram espaço no mercado de trabalho, dado alarmante que revela o tamanho do impasse que ameaça futuramente o Brasil. Outra pesquisa realizada também pelo IBGE, destaca que os afazeres domésticos estão entre as principais barreiras enfrentadas principalmente pelas jovens mulheres, que muitas vezes sonham em estudar ou conseguir um trabalho remunerado. Existe todo um estigma sobre o trabalho doméstico, mesmo não sendo pago ainda é muito custoso para a vida delas, sendo nítido a resposta que não vale a pena sair para buscar um trabalho com carteira assinada, realidade de muitas adolescentes que engravidam e abandonam a escola para cuidar integralmente da casa e do filho e acabam entrando no grupo dos “nem-nem”.

Sob o mesmo ponto de vista, os que concluem o ensino médio não conseguem emprego por não possuírem experiência nas áreas, o que acaba desanimando-os ainda mais. Os jovens precisam ser estimulados e orientados para continuar a buscar o emprego ou estudo. Como não encontram apoio em casa, a escola passa a ser responsável pelo  seu desenvolvimento social e a guia-lo no melhor caminho a seguir. É notório que o Brasil não é um dos melhores exemplos no quesito educação, a qualidade do ensino atualmente é precário, pela falta do incentivo do Governo, mas, o grande referencial na sala de aula é o professor. O professor tem um papel fundamental e importante na vida dos alunos, um professor bem capacitado é capaz de fornecer melhores condições pedagógicas, pois aumenta as chances de despertar no aluno o desejo pelo aprendizado e a formação superior.

Logo, ações são necessárias para amenizar a problemática. Cabe ao Governo juntamente com Ministério da Educação e Instituições de ensino:SENAI e SENAC disponibilizarem cursos técnicos e profissionalizantes gratuitos para a população que não possui condições para arcar com os custos, para poderem ter alguma experiência ao ingressar no mercado profissional; e as empresas privadas, poderiam ceder vagas de emprego para os jovens que estiverem dispostos a aprenderem. Diante do exposto, é indubitável que medidas devam ser tomadas para alterar o cenário brasileiro.

Além disso, são necessários investimentos maciços em educação pública como um todo, desde a primeira infância, passando pelo ensino fundamental e médio. Temos uma juventude sedenta por mudança, com enorme potencial para transformar o país, fazer avançar a democracia e reduzir a desigualdade social. Não podemos permitir que ela se imobilize, se sinta desmotivada por não conseguir visualizar o caminho que deve seguir. Caso contrário, os milhões de jovens “nem, nem” de hoje, serão certamente os profissionais desmotivados e despreparados – “des, des” – de amanhã.