A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 18/05/2020

O Brasil apresenta, aproximadamente, 1/4 de sua população jovem sem estudar ou trabalhar, segundo pesquisa do Instituto de Geografia e Estatística (IBGE). Tais dados apontam a urgência de combate a essa realidade, que não é resultante da falta de empenho desses brasileiros, mas sim, do baixo suporte a educação e das tímidas iniciativas para reduzir desigualdades socioeconômicas, por parte do Estado.

Primeiramente, é necessário evidenciar que o quadro socioeconômico do país não favorece a ideia de que os jovens sem estudar ou trabalhar se encontrem em tal situação porque assim o escolheram. Nesse aspecto, o problema estrutural de baixo investimento em educação se reflete na falta de estímulo ao estudo e na queda de perspectivas acadêmicas. Essa situação, apresenta como consequências, o processo de evasão escolar, em que segundo o Programa das Nações Unidas de Desenvolvimento (PNUD), o Brasil é o terceiro dentre os países com maiores taxas de desistência estudantil, o que gera, por sua vez, falta de qualificação para ingresso no mercado de trabalho. Desse modo, o combate a esse problema significa redução dos elevados índices de jovens ociosos, o que pode ser feito por meio de melhorias no âmbito educacional.

Em segundo lugar, aponta-se ainda como causa para número elevado de jovens que não estudam ou trabalham, a falta de políticas públicas para combate à desigualdade social do Brasil. Nesse viés, as disparidades entre classes e gêneros contribuem para falta de oportunidade ou disponibilidade de estudar ou trabalhar, principalmente, para a população feminina, em especial, a com filhos e de baixa renda, que não encontra suporte estatal para conciliar atividades domésticas e investimento no mercado de trabalho, tal qual revelou o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Dessa forma, medidas como melhorias no sistema de transporte ou implementação de creches surtiriam efeito para reduzir os dados revelados em tal pesquisa.

Portanto, para reduzir o alto índice de jovens que não estudam ou trabalham, é imprescindível que o Ministério da Educação melhore a qualidade do ensino público por meio de maiores investimento em projetos escolares, palestras motivacionais e estrutura adequada, de modo que que o aluno sinta motivação e suporte para investir no futuro acadêmico, objetivando, assim, reduzir a evasão escolar e posterior desqualificação no mercado de trabalho. Dessa maneira, é igualmente necessário que o governo amplie políticas públicas que dêem subsídio para que a parcela mais pobre da população possa ir em busca de estudo ou trabalho, superando, enfim, a realidade constatada pelo IBGE.