A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 16/05/2020

Nem oportunidade nem igualdade

No convívio social brasileiro, cresce a chamada “geração nem-nem”, formada por jovens que não estudam e não trabalham. Acerca dessa lógica, a grande maioria desses indivíduos estão fora das instituições de ensino ou do mercado trabalhista não por falta de vontade, mas pela escassez de oportunidades, principalmente entre as mulheres. Esse panorama deve ser combatido, visto que ele prejudica o crescimento econômico e fortalece a desigualdade de gênero.

Sob essa óptica, percebe-se que o combate a esse cenário de desqualificação profissional e desemprego no contexto juvenil poderia contribuir para o desenvolvimento econômico do País, já que a inclusão desse contingente populacional no mercado de trabalho iria dinamizar a economia e aumentar a produtividade no território nacional. Além disso, o enfrentamento dessa situação possibilitaria retirar diversas famílias da condição de pobreza. Todavia, como afirmava o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela, “A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”, ou seja,  a falta de investimentos governamentais em educação dificulta a concretização dessa realidade, pois, sem uma qualificação apropriada, esses indivíduos não conseguirão empregos de qualidade.

Ademais, as mulheres de baixa renda constituem a maioria da geração nem-nem. Desse modo, a inclusão das mulheres nos ambientes universitários e trabalhistas contribuiria para minorar a desigualdade de gênero, uma vez que elas conquistariam maior autonomia e independência financeira, tal como aconteceu durante a Primeira Guerra Mundial, pois, em função da ida dos homens à guerra, as indústrias precisaram de trabalhadores, o que acelerou a integração da mulher nesse setor. Entretanto, devido à predominância de estruturas patriarcais na maior parte das sociedades, a inclusão da mulher nesses ambientes, que foram dominados pelo sexo masculino ao longo da história, ainda sofre paradigmas. A título de exemplificação, mulheres com filhos são vítimas de preconceito no ramo trabalhista pela crença equivocada de que elas seriam menos produtivas, o que não acontece com os homens que são pais.

Portanto, para fazer jus ao pensamento de Nelson Mandela, faz-se mister que o Governo Federal aumente os investimentos em educação, por meio de um replanejamento orçamentário que destine mais verbas às instituições de ensino do País, com o intuito de ampliar o acesso à educação de qualidade e de qualificar os estudantes brasileiros. Outrossim, urge que as escolas incentivem as alunas a buscarem seu espaço nas universidade e no mercado de trabalho, por intermédio de aulas e palestras que as ensinem como realizar esse processo e como lutar contra a cultura patriarcal, com o fito de diminuir a desigualdade de gênero.