A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 16/05/2020
“No meio do caminho tinha uma pedra”. Nesse verso do poeta Carlos Drummond, publicado na “Revista de Antropofagia” em 1928, é presente uma metáfora para desafios. À luz disso, concomitantemente a essa citação, é certo que há uma pedra no caminho do Brasil: a necessidade de mudar o cenário da não inserção dos jovens nos âmbitos estudantil e trabalhista, que se perpetua não só pelo descompasso no sistema educacional, mas também por uma consequência das desigualdades sociais.
Antes de tudo, o nível de instrução escolar e o desenvolvimento dos indivíduos nas áreas do conhecimento e habilidades gerais corroboram de maneira acentuada para o êxito nas atividades a serem praticadas na fase adulta. Assim sendo, no que tange às oportunidades de emprego e vagas de ensino superior, esses postos são ocupados por grupos nos quais os estágios de aprendizagem foram bem efetuados ao longo da formação, portanto, a outra parte do tecido enfrenta uma realidade de descaso e obstáculos. Desse modo, de acordo com o filósofo Karl Marx, em seu livro “A Ideologia Alemã”, o ser social de cada indivíduo determina a sua consciência, o que gera nesse corpo um estado de marginalização e impossibilidade.
Ademais, é indubitável que outra razão para esse fenômeno contemporâneo é o ciclo de desigualdade persistente no território nacional. Com efeito, nessa perspectiva, a restrição às oportunidades é parte de um sistema de exclusão social, a citar a pobreza extrema e o preconceito com a figura feminina em casos de emprego, seja por ter mais direitos legais de amparo durante a gravidez ou pela desvalorização profissional. Logo, é preciso entender que o momento estacionário desses jovens reverbera uma deficiência governamental sujeita à correção, pois parafraseando o sociólogo positivista Auguste Comte, as maiores mudanças da história da humanidade se deram por meio do conhecimento, melhor ferramenta para mudar essa realidade.
Dessarte, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC), em parceria com os governos estaduais, atue por intermédio da elaboração de diretrizes educacionais mais eficazes, com o acompanhamento individual de cada aluno e a disponibilização de cursos técnicos e preparatórios para vestibulares e o mercado de trabalho. Além disso, devem ser ofertados transporte e uma verba de incentivo aos educandos mais carentes, para a obtenção de materiais de estudo, por exemplo. Em suma, deve ser feito com o intuito de formar jovens com oportunidades iguais nesse contexto. Somente assim, será possível retirar esse desafio do caminho.