A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 22/05/2020

O neuropsiquiatra austríaco Viktor Frankl, criador da logoterapia, defende, em seu livro “Em Busca de Sentido”, a relevância do trabalho para garantir o bem-estar mental do indivíduo. Esse autor revela um dos graves riscos para a “geração nem-nem”, parcela da população que nem estuda, nem trabalha. Solucionar essa questão é de grande importância tanto para o crescimento econômico do país quanto para a saúde mental da população.

Primeiramente, é preciso tratar da relação entre o crescimento da “geração nem-nem” com o desenvolvimento econômico. Cabe ressaltar que a crise econômica vivida pelo Brasil é não só uma das causas desse problema, mas também é agravada por ele. A queda do número de vagas de emprego e a precarização do trabalho se mostram especialmente inoportunas ao considerar-se que o país vive o chamado “bônus demográfico”, momento em que uma nação possui a maior parcela de sua população em idade economicamente ativa. Assim, o que poderia ser uma oportunidade mostra-se um grande desafio e uma tarefa essencial, visto que políticas de geração de emprego beneficiarão uma grande parcela dos habitantes e permitirão ao Brasil usufruir do desenvolvimento econômico proporcionado por uma grande força de trabalho.

Ademais, lidar com a questão da “geração nem-nem” mostra-se uma questão de saúde pública. Segundo Frankl, a falta de atividades como o trabalho ou estudo podem contribuir para o surgimento de problemas psicológicos e emocionais, que acabam por minar a confiança do indivíduo, o que diminui mais ainda suas chances de obter um emprego ou se manter bem em um curso. Dessa forma, é criado um ciclo vicioso que pode levar a sérios problemas como depressão e ansiedade e que, por isso, deve ser sanado pelo poder público, baseado no artigo 196 da Constituição, que garante que a saúde é um direito de todos e um dever do Estado.

Nota-se, portanto, que é de grande importância o agir do Governo Federal para sanar essa questão. Para tal, o Ministério da Economia deve estimular a criação de empregos por meio de reformas para facilitar a criação de negócios, como a simplificação da carga tributária e da burocracia. Além disso, o Ministério da Educação deve ampliar a disponibilidade de cursos técnicos e tecnólogos em instituições públicas, que garantem entrada mais rápida no mercado de trabalho. Assim, será possível ajudar uma juventude vulnerável a encontrar o seu sentido no trabalho ou estudos.