A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 04/06/2020

O termo “nem-nem”, usado para designar a geração de jovens que nem estudam e nem trabalham, teve sua origem no Reino Unido e que logo passou a ser utilizado em outros países como o Brasil. Todavia, o crescente número dessa geração é uma situação atual no cenário brasileiro. Nessa perspectiva, a falta de subsídios para a educação e a estrutura socioeconômica que estão inseridos dificulta a possibilidade de adentrarem no mercado de trabalho ou procurarem um ensino de qualidade. Diante dessa questão, torna-se necessária uma mobilização dos órgãos públicos para possíveis melhorias desse contexto estrutural. Em primeiro lugar, é importante destacar que, dados obtidos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 11 milhões de jovens entre 15 e 29 anos não estudam e nem trabalham. Nesse sentido, a falta de aspiração para voltar aos estudos ou ao trabalho é uma das barreiras internas que os mesmos enfrentam. Nesse perfil, de acordo com uma pesquisa feita pela revista El País, o maior grupo que procura um trabalho são mulheres casadas e com filhos. Todavia, elas vivem sob normas sociais que reforçam seu papel de cuidadoras e restringem suas oportunidades econômicas. Em adição a esse fato, no segundo grupo estão aqueles que expressam vontade para voltar a trabalhar ou estudar, porém, não tomaram uma providência porque lhes faltam ferramentas necessárias para realizarem o que almejam. Logo, é essencial o fortalecimento dos sistemas de informação e a continuidade de políticas destinadas a reduzir as limitações à formação de jovens. É notável ressaltar, ainda, que a evasão escolar é uma questão que também responde ao fenômeno nem-nem, segundo dados do Instituto de Estatística da Unesco 2,5 milhões de jovens estão fora do ambiente escolar. No entanto, o problema não é a falta de escolas, são as situações que rondam a sala de aula, uma vez que a pobreza é a principal causa para a evasão. Além disso, de acordo com a economista Joana Costa, o desejo de voltar aos estudos e ao mercado de trabalho e a descrença de que vão conseguir, estão presentes no dia a dia dos jovens. Tendo isso em vista, é necessário que essa barreira de baixa perspectiva seja quebrada de modo que sejam criadas políticas educacionais para ajudá-los a superá-las. Com o intuito de amenizar essa problemática, o Ministério da Educação deve investir em creches, para que mulheres possam deixar seus filhos em lugares seguros e assim se reinserindo no mercado de trabalho. Ademais, o MEC em conjunto com grandes empresas, deve inserir nas escolas programas que incentivem e repassem informações sobre o funcionamento do mercado de trabalho a fim de que estejam informados e percebam as oportunidades no seu futuro. Ainda, o professor é fundamental para reverter o quadro de baixa perspectiva nos alunos, de modo que compreenda cada estudante e o contexto em que ele está inserido, assim ele é um agente transformador individual e coletivo que pode possibilitar transformações na vida do estudante. Somente assim, será possível reverter a situação de jovens que nem estudam e nem trabalham na sociedade brasileira.