A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 03/06/2020
No anime japonês “Blue Exorcist”, o protagonista Rin Okumura enfrenta uma série de discrepâncias financeiras, em função disso, não possui condições de concluir o ensino médio. Sendo assim, Rin opta por começar a trabalhar para ajudar nas contas de casa. Contudo, em decorrência da sua baixa escolaridade, não consegue manter empregos fixos, sendo taxado de encrenqueiro pela sua vila. Fora da ficção criada por Tensai Okimura, a realidade brasileira não se difere muito do universo de Blue Exorcist. Assim como o protagonista, jovens que nem estudam e nem trabalham são considerados ociosos e apontados pela sociedade como culpados da situação em que se encontram.
Em primeiro lugar, é preciso examinar o uso do termo “nem-nem”, surgido da variação da sigla inglesa NEET (Not in Education, Employment, or Training), a qual, em seus primórdios, designava jovens que estão fora da educação, do emprego e da qualificação profissional. Porém, após a expressão ganhar popularidade na cultura brasileira, seu significado logo se tornou pejorativo, utilizado por muitos para insultar os ditos jovens “nem-nem”.
Ademais, como Tensai Okimura mostra em Blue Exorcist, o fenômeno é fortemente influenciado pela interrupção dos estudos, fator que impede os jovens de conseguirem empregos fixos e bem remunerados. Da mesma maneira que ocorre com Rin, pesquisas feitas pelo IBGE apontam que aproximadamente 1,3 milhões de jovens abandonam a escola para trabalhar. Ou seja, a evasão escolar não ocorre por conta de preguiça ou incapacidade dos estudantes, e sim por necessidades financeiras, fazendo com que esse se torne um problema estrutural.
Dessa maneira, como já afirmara Nelson Mandela “a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo.” Portanto, cabe ao Ministério da Educação construir políticas públicas que busquem ampliar o acesso à educação e transformar o mercado para que a inclusão dos jovens seja mais ampla. Afim disso, deve-se financiar projetos escolares que estimulem a continuidade nos estudos, como feiras de ciência e olimpíadas nacionais, com o objetivo de que os estudantes se interessem mais pelos conteúdos e encontrem suas devidas vocações. Sendo também, de responsabilidade do Governo Federal, a certificação de que todas as famílias necessitadas estejam recebendo o Bolsa Família, no intuito de diminuir a evasão escolar por conta de dificuldades financeiras, e assim, futuramente, diminuindo os índices de jovens nem-nem no país.