A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 07/06/2020
Os jovens “nem-nem” e a desigualdade social
Segundo o filósofo Kant, o conhecimento é a garantia da saída de um indivíduo da menoridade, ou seja, é a ferramenta que dá autonomia a alguém. Analogamente, Hegel pontua o trabalho como o meio para que o homem se entenda como um ser pertencente ao corpo social, isto é, o serviço é visto como outro fator emancipacionista e humanizador. Dessarte, fica explícita as funções essenciais do emprego e do estudo para se atingir a condição de cidadania plena, fato frequentemente distante da atual geração Z. Nesse sentido, faz-se mister depreender os papéis da maternidade precoce e da negligência estatal como propulsores da massa de jovens “nem-nem”.
Em primeiro plano, é importante destacar como a gravidez na adolescência estimula o aumento da parcela juvenil que não trabalha nem estuda. Diante disso, há o fato do estereótipo machista, que impõe a mulher como a única responsável pela criação dos filhos, ainda se manter na sociedade brasileira. Sendo assim, muitas meninas que engravidam na idade escolar são obrigadas a abrir mão da vida acadêmica e, consequentemente, de um trabalho digno, para que possam cuidar da criança. A exemplo disso, tem-se a série “Gilmore Girls”, que retrata a dificuldade de Lorelai para ingressar no mercado trabalhista, cada vez mais especializado, após ter se afastado da escola para cuidar da filha.
Além disso, o descaso governamental acerca da promoção de uma educação gratuita de qualidade contribui para endossar a parcela de jovens “nem-nem”. Sob esse prisma, cita-se a evidente disparidade entre as redes pública e privada de ensino no Brasil, o que acentua as desigualdades sociais. Nesse contexto, há a fala do sociólogo Pierre Bourdieu, que expõe ser a função do sistema educacional legitimar essas disparidades sociais. Assim, indo de encontro à tese do pensador, o Estado, ao omitir-se da obrigação de assegurar um ensino universal satisfatório, faz com que a graduação superior e o trabalho formal se dirijam, sobretudo, à camada privilegiada da população.
Por conseguinte, medidas hão de ser tomadas a fim de reduzir a porção de jovens que não estudam nem trabalham no Brasil. Primeiramente, o Ministério da Saúde, responsável pela manutenção da saúde no país, deve atestar a distribuição de contraceptivos para todos os habitantes. Isso seria possível por meio da parceria com governos municipais e evitaria gestações precoces, contribuindo para a redução da evasão estudantil. Ademais, o Ministério da Educação, a partir da cooperação com escolas, precisa garantir o acesso à educação pública de qualidade, certificando a formação cidadã de todos, como é previsto nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Desse modo, assegurar-se-ia a emancipação da população, por intermédio do saber e do emprego, como defendido por Kant e Hegel.