A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 12/06/2020
Educação, do latim educare, significa tornar-se elevado, o que inclui ocupar uma posição de destaque no mercado de trabalho. Entretanto, tal ideal parece ser inalcançável para a geração de jovens que não estudam e nem trabalham, uma vez que significativa parte deles tem acesso precário à escola, o que culmina em uma baixa qualificação profissional, com consequente desemprego. Tal cenário é reflexo de uma histórica desigualdade social, além de ser um potencial agravante para a economia futura do país.
Em primeiro plano, deve-se notar que, segundo o Banco Central, há 11 milhões de jovens brasileiros entre 15 e 25 anos que se enquadram nessa problemática, e muitos deles estão absortos em uma situação de vulnerabilidade social. Destarte, os que vivem em favelas, por exemplo, além de não terem acesso a boas escolas, são frequentemente estigmatizados em entrevistas de emprego devido ao seu local de origem, historicamente marginalizados. Assim, vê-se uma nefasta aliança entre o precário acesso à educação e o preconceito no mercado de trabalho.
Ademais, deve-se ater para o fato que de esses jovens representam, a longo prazo, um agravante econômico. Nesse contexto, embora hoje os geógrafos afirmem que o Brasil encontra-se em um período de sua pirâmide etária chamado de “bônus demográfico”, caracterizado por uma PEA (população economicamente ativa) numericamente alta, a prevalência do aumento desse quadro, atrelado ao incremento da expectativa de vida no país, pode produzir, no futuro, uma crise previdenciária de proporções epidêmicas, uma vez que a oferta de trabalhadores qualificados tenderá a ser menor. Dessa forma, nota-se que o problema em questão traz consequências não só para a vida dos jovens, como para as próximas gerações.
Portanto, é mister que o Estado tome providências cabíveis para solucionar tal impasse. Assim, cabe o Ministério da Educação, mediante um redirecionamento estratégico de vergas governamentais, investir na reformulação do ensino das escolas, por meio da oferta de cursos técnicos que promovam a qualificação profissional, os quais deixariam de ser restritos aos Institutos Federais e passariam a fazer parte de todas as instituições de ensino público, com o fito de alcançar um maior contingente de estudantes. Feito isso, além de impedir uma futura crise previdenciária, observar-se-á uma melhoria na qualidade de vida dos jovens brasileiros, que irão ascender socialmente, como a própria origem do vocábulo educação sugere.