A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 18/11/2020

O movimento estudantil “Caras Pintadas”, ocorrido no final do século XX, explicita a relevância da participação juvenil no desenvolvimento de uma melhor nação. Entretanto, no cenário hodierno, a inércia dos adolescentes repercute impasses não só para a sociedade como um todo, mas principalmente para suas perspectivas pessoais. Nesse sentido, seja por um recorte socioeconômico ou por problemas afetivos durante o amadurecimento, os índices de cidadãos que não estudam e nem trabalham cunha-se preocupante na atualidade brasileira e, por isso, carecem de cuidados.

Previamente, é relevante salientar a influência monetária nas escolhas dos civis. À medida em que o jovem está inserido em uma minoria social - Por exemplo, classes mais baixas ou periféricas - O contato com o ambiente escolar é dificultado, ao passo que possui interesses externos, como a própria sobrevivência ou de sua família. Sob essa ótica, a obra “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, retrata bem o impacto econômico na vivência juvenil, ao elucidar adolescentes abandonados que precisam de furtos para alimentarem-se. Nesse viés, o estímulo a única alternativa de mudança financeira - O estudo - é deteriorado, tendo como resultado a perpetuação de um ciclo de baixa condição econômica. De acordo com Immanuel Kant, no entanto, “o homem é o que a educação faz dele”. Desse modo, oferecer mecanismos para que os centros educacionais sejam atrativos é imperioso.

Ademais, os aspectos socioemocionais também podem ser determinantes nas decisões joviais. Conforme a geração atual está constantemente conectada às redes de informação, a comparação com a vivência alheia e a auto depreciação são instituídas. Assim, desvios como a depressão e a ansiedade - Segundo a Organização Mundial da Saúde, presente em mais de 50% dos jovens contemporâneos - convencem o indivíduo de que não é capaz de ser produtivo no meio acadêmico ou profissional. Segundo o filósofo John Locke, porém, é dever do Estado oferecer mecanismos para o bem-estar social. Logo, cuidar da saúde mental dos adolescentes é essencial para obter sua produtividade.

Portanto, ações são indispensáveis no objetivo de contornar os elevados números de jovens inertes no Brasil. Dessa forma, a criação de “Bolsas de desempenho”, nos níveis fundamentais e médio de ensino, por meio de uma ação do Poder Executivo Federal, é mister a fim de que a educação seja vista como uma forma se ascensão e estimuladas pela família. Para isso, a renda do Ministério da Educação serviria como custeio. Outrossim, a maior oferta de psicoterapias hospitais públicos, por intermédio da contratação de profissionais pelo Ministério da Saúde, é fundamental no intuito de cuidar da psique juvenil e evitar o desestímulo. Assim, movimentos como “Caras Pintadas” poderão ocorrer novamente e o Brasil terá jovens não reféns de seus destinos, mas sim escritores de suas próprias histórias.