A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 21/07/2020
Ao analisar o tema sobre os jovens que não trabalham e não estudam, vê-se que ocorre uma visão distorcida do verdadeiro problema. Pois eles são referenciados como “nem-nem”, termo que acabou passando uma imagem pejorativa destes, popularizando um pensamento de que eles estão neste grupo por serem preguiçosos. Porém, o problema é mais complexo, e envolve questões socioeconômicas e até de gênero.
Em primeiro lugar, é relevante considerar os aspectos econômicos. Pois, muitos “milleniuns” em situação financeira desfavorável, largam os estudos para exercer trabalhos que na maioria das vezes são informais, em busca de conseguir alguma renda para a família. Esse cenário é constatado pela pesquisa feita no IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), mostrando que 42% das pessoas que não exercem nenhuma atividade, não tinha o fundamental completo. Logo, pode ser observado a relação entre o baixo nível de escolaridade e a dificuldade de conseguir um emprego formal.
Em segundo plano, é importante levar em consideração os fatores associados ao gênero. Visto que, ocorreu uma predominância do sexo feminino no grupo analisado. Como mostra os dados do IPEA(Instituto de pesquisa Econômica Aplicada), expondo que dos 11 milhões de jovens que não trabalham e estudam, 63% são mulheres. Portanto, os motivos pelo quais elas são predominantes, certamente são as atividades domésticas, que são colocadas na maioria das vezes como obrigação dos indivíduos do gênero feminino, e também o grande número de gravidez precoce, fazendo as moças largarem seus estudos ou empregos para cuidar dos seus filhos.
Em suma, diante dos argumentos supracitados são necessárias medidas para resolução do problema. Para isso, o MEC junto com os governos estaduais e municipais, podem desenvolver estruturas de remuneração nas escolas públicas, como bolsas de pesquisas e monitorias, como acontece nas instituições federais, com o objetivo de incentivar os alunos a estudar e ainda oferecer a eles uma fonte de renda por isso, buscando diminuir a evasão. Outrossim, o ministério da saúde poderia investir em propagandas sobre os problemas de uma gravidez precoce e como evitar, com intuito de alerta as meninas para esse problema. Ademais, para alcançar as que já tiveram filhos, o governo estadual junto com o municipal, poderia desenvolver um plano em que houvesse ampliação de creches públicas, oferecendo cursos profissionalizantes para mães menores de 24 anos, que colocassem seus filhos nesses locais, com a pretensão de conduzir elas novamente para o mercado de trabalho.