A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 15/08/2020

O Brasil está passando por um processo de “Bônus demográfico” - quando a população economicamente ativa é a maioria - ,logo, estimular a qualificação e a geração de empregos é fulcral para o desenvolvimento do país, no entanto isso não é observado hodiernamente, pois cresce todos os dias o percentual da população “nem-nem” - quem nem estuda e nem trabalha- isso decorre principalmente devido a precariedade das políticas públicas e das dificuldades socioeconômicas.

A priori, o Brasil mesmo investindo boa parte do PIB em educação não obtém bons resultados. Nesse viés, o investimento de mais de 5% do PIB de acordo com o inep, mesmo sendo maior que alguns países desenvolvidos, não garante a eficiência do processo, pois há pouca atuação na formação dos professores e no incentivo ao ensino em tempo integral. Desse modo, muitos estudantes da rede pública ao terminarem o ensino médio não conseguem ingressar na faculdade ou no mercado de trabalho devido a pouca qualificação e ausência de cursos técnicos gratuitos ficando ociosos ou submetendo-se à informalidade. Dessa maneira, mudar esse quadro é imprescindível, pois todo o investimento feito nos anos iniciais da vida escolar não são devolvidos ao estado, já que sem emprego não há arrecadação e o país fica estagnado.

Ademais, desigualdades socioeconômicas e de gênero também agravam o aumento da população nem-nem. Sob essa óptica, muitos jovens brasileiros fazem parte dessa parcela, pois são obrigados a trabalharem para compor a renda familiar antes de completar o ensino médio em subempregos, abandonando a escola. Esse quadro é ainda mais sério quando se leva em consideração o sexo feminino, pois a gravidez na adolescência é uma das principais causas de evasão escolar e da dificuldade de ingressar no mercado de trabalho a longo prazo.

À luz dessas considerações, é possível ver a importância de reduzir, por meio de ações públicas, os índices de jovens que nem estudam e nem trabalham. Logo, é fulcral que o Governo federal por meio do Ministério da Educação invista em escolas de tempo integral e em cursos profissionalizantes com foco nos âmbitos da economia que estão crescendo e necessitando de mão de obra, para que, ao término das atividades escolares esses jovens já adentrem no mercado de trabalho e o bônus demográfico seja aproveitado da maneira correta. Ademais, o Governo também deve fazer campanhas de conscientização sobre educação sexual direcionadas aos jovens, a fim de evitar a gravidez na adolescência e reduzir os níveis femininos de evasão escolar.