A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 28/07/2020

A expressão ‘‘geração nem-nem’’ tornou-se relevante no cenário brasileiro e é usada para definir uma grande parcela da população mais jovem que não estuda e nem trabalha. Nesse contexto, embora sejam definidos a partir de um termo comum, diversos fatores distintos ilustram a realidade desse grupo. Sob tal óptica, combater essa problemática implica, não somente a diminuição das taxas de subemprego, mas também um crescimento da população economicamente ativa. Desse modo, torna-se relevante uma análise dos fatores governamentais e sociopsicológicos que constroem tal realidade.

Faz-se imprescindível, de início, uma caracterização dos esforços governamentais no tocante aos investimentos e a administração de ações públicas que incentivem os jovens a prosseguirem numa carreira acadêmica. Nesse segmento, um estudo do IPEA mostra que 23% dos brasileiros entre 9 e 24 anos encontrava-se fora do mercado de trabalho e em situação de estagnação acadêmica. Essa conjunção advém, simultaneamente, da falta de qualidade do ensino público e da ineficácia de medidas funcionais para diminuir a evasão escolar. Ou seja, a escola não consegue com os poucos recursos oferecidos pelo Governo dar suporte integral ao estudante na buscar uma melhor qualificação. Ademais, maior parte desse montante é constituído por mulheres, o que mostra a falta de isonomia entre os gêneros, fato que evidencia uma sociedade atrasada. Nesse viés, Paulo Freire afirma que a educação é um fator de mudança social indispensável. Logo, seguindo esse pensamento, as escolas deverão exercer seu papel na busca por mudanças e, sobretudo, uma sociedade mais integrada.

Por conseguinte, a ineficiente administração do Estado acarreta em profundas diferenças sociais que dificilmente serão superadas sem a união dos diversos setores. Nesse viés, a desigualdade socioeconômica é a principal causa do abandono escolar. Com isso, na busca precoce por empregos, os ‘’nem-nem’’ caem em situações desagradáveis, como subemprego e baixa remuneração. Tal processo normalmente acontece em famílias pobres e com pouca instrução; até mesmo com o apoio dos pais que buscam ajuda financeira. Outrossim, a gravidez é um potencial agravante, impossibilitando, pelo compromisso familiar, a continuidade dos estudos ou busca por trabalho.

Entende-se, portanto, que medidas devem ser tomadas. Dessarte, o Ministério Público deverá pressionar o MEC na padronização da qualidade, tanto da estrutura ofertada para os alunos da rede pública, quanto no nível de ensino. Desse modo, por intermédio de investimentos direcionados para a pauta, haverá isonomia no suporte oferecido e um maior exercício da cidadania. Além disso, as Secretarias de Educação municipais, deverão realizar um mapeamento e cortar auxílios, como o Bolsa Família, de núcleos que possuam jovens na faixa estudantil fora do ambiente escolar.