A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 11/08/2020
No Brasil, segundo dados do IBGE(Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), cerca de 23% dos jovens entre 15 e 29 anos não estudam e nem trabalham. Conhecidos como ‘‘geração nem-nem’’, esses jovens, seja pela falta de oportunidades, seja por questões socioeconômicas, enfrentam diversas dificuldades de se inserirem no mercado de trabalho e de frequentarem instituições de ensino. Nesse sentido, convém analisar os principais fatores e possíveis medidas relacionadas a esse viés social.
Em primeira análise, vale ressaltar a Teoria da Seleção Natural, formulada pelo naturalista Charles Darwin, no qual ele afirma que as espécies adaptadas possuem mais chances de sobrevivência do que as menos adaptadas. Seguindo tal premissa, é possível assimilá-la com o problema em questão, haja vista que a falta de experiência e qualificação profissional de muitos jovens favorece o quadro de desafios enfrentados na procura de um emprego. Sob a exigência das empresas em contratarem funcionários experientes e com currículos atraentes, poucas são as vagas oferecidas aos brasileiros que tentam ingressar no mercado de trabalho pela primeira vez. Dessa forma, por não conseguirem uma oportunidade, esse entrave corrobora os altos índices da ‘‘geração nem-nem’’ no país.
Outrossim, evidencia-se a gravidez na adolescência como um dos fatores dessa problemática. Acerca disso, cabe destacar a obra cinematográfica ‘‘Simplesmente Acontece’’, no qual é retratado os dramas vivenciados pela adolescente Rosie, tais como o abandono dos estudos e a luta na busca por um emprego, após a descoberta de uma gravidez indesejada. Não distante da ficção, casos semelhantes ao da personagem podem ser observados na sociedade, uma vez que a situação financeira precária de muitas jovens mães, atrelada a ineficácia de políticas públicas de apoio as mesmas, criam desafios que dificultam a conciliação do trabalho com a sala de aula. Logo, em decorrência desses obstáculos, muitas delas desistem de estudar e trabalhar para se dedicarem integralmente aos filhos.
Destarte, considerando os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para coibir esse cenário. Para tanto, cabe ao Governo Federal, mediante subsídios, fazer parcerias público-privadas com companhias empresariais, a fim de que essas direcionem vagas de emprego exclusivas para os jovens recém-chegados no mercado. Ademais, é imprescindível que o Governo, juntamente com o Ministério da Educação, promovam programas de assistência que ajudem as jovens mães a lidarem com as barreiras socioeconômicas, para assim que possível, retornarem as escolas e ao trabalho sem grandes dificuldades. Só então, será factível inserir essa parcela da juventude no ramo estudantil e laboral.