A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 07/08/2020

O livro “Memórias de um sargento de milícias” conta a história da juventude de Leonardo Pataca, que é uma personagem avessa ao estudo e ao trabalho, por isso acaba frustrando os seus superiores. Porém essa condição não existe só na literatura, como também em grande parcela de adolescentes brasileiros. Isso se deve pela “cultura preguiçosa” do país, e pela falta de perspectiva dos jovens.

Em primeira análise, é válido ressaltar que o Brasil foi fundado em cima de uma cultura parasitária, portanto, a população- principalmente a mais jovem- tende a fazer o mínimo esforço para conseguir o máximo. Visto que, em 1808- quando a família real desembarcou na Bahia de Guanabara- entre 10 a 15 mil pessoas vieram para o país a fim de serem subsidiadas pela corte portuguesa. Esse comportamento permaneceu até o século XX, pois em 2017 a revista científica Nature classificou o Brasil como o sétimo país mais preguiçoso do Mundo, ou seja, desde os primórdios da civilização brasileira, é costume ser “sustentado”. Assim sendo, os adolescentes tendem a não se profissionalizarem, ou procurarem empregos por um fator cultural que sempre incentivou a “desocupação remunerada” que é alimentada pelo governo, ou no caso pelos pais.

Ademais, outro fator problemático é a falta de perspectivas dos jovens em relação à educação . Conforme o Banco Mundial, eles não possuem a real noção do valor dos estudos para o seu futuro, o que funciona como um desencorajamento para estudar, causando uma população menos qualificada e aumentando seu índice de desemprego, ou seja, não estudar está diretamente ligado à não conseguir emprego. Seguindo essa linha de raciocínio, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) afirma que pessoas entre 18 e 24 anos ,que não possuem qualificações, ficam em posições desvantajosas nos processos seletivos das empresas, evidenciando que a ociosidade juvenil está ligada à falta do planejamento estudantil e isso causa impactos negativos na parcela da população economicamente ativa.

Então, a soma de uma cultura parasitária com a falta de perspectiva em relação aos estudos causa uma grande parcela de jovens que não estudam e nem trabalham. Por isso, cabe ao Ministério da Educação acrescentar uma matéria na grade curricular comum- direcionada ao ensino médio- que seja pautada no planejamento do futuro do aluno, a fim de instruí-lo para entrar no mercado de trabalho, faculdade, ou curso profissionalizante, o que irá incentivá-los a serem ativos, e mais conscientes sobre o papel da educação na carreira profissional, além de  diminuir os índices de ociosidade juvenil.