A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 28/04/2021
Numa noite, Peter Pan conhece Wendy e seus irmãos, que, ávidos por uma aventura, aceitam o convite dele para irem à Terra do Nunca, lugar onde as crianças nunca crescem. Diferente do conto de fadas, a passagem para a vida adulta tanto biológica como social é inevitável, e um dos marcos é, por exemplo, a conquista do emprego pelo jovem. No entanto, uma parcela da juventude brasileira encontra dificuldades para consegui-lo bem como para estudar, são os chamados ‘’nem-nem’’, jovens que nem estudam nem trabalham. Com efeito, em decorrência da inépcia estatal, isso se caracteriza como prejudicial ao cenário brasileiro, visto que propicia o desequilíbrio do sistema previdenciário.
Em primeiro lugar, o Estado não fornece uma educação de qualidade aos jovens de baixa renda, maioria dos ‘’nem-nem’’. Devido a isso, eles concluem seu ensino inábeis em aspectos básicos como português e matemática e em conhecimentos sobre o mercado de trabalho, isto é, despreparados para o vestibular e para o âmbito profissional. Isso é evidente em uma pesquisa realizada pelo jornal Estadão, na qual foi constatado que um a cada 600 jovens de baixa renda conseguem as notas mais altas do ENEM, enquanto são um a cada quatro entre os de maior renda. Dessa forma, aqueles sem recursos econômicos ou acesso à internet e os sem informação sobre a atividade laboral encontram dificuldade para ingressar nesses espaços.
Outrossim, é imprescindível destacar que a pirâmide etária brasileira está se invertendo. De acordo com o IBGE, a população idosa representava 13% em 2019 e a projeção é de aumentar para 25,5% em 2060. Nesse contexto, haja vista que as presentes arrecadações são as responsáveis por sustentar as aposentadorias atuais, quanto maior a quantidade de contribuintes maior será o ‘‘desafogo’’ do sistema e a contenção do déficit existente, o qual promoveu a reforma da previdência há pouco executada. Sendo assim, a adesão desses jovens ao mercado de trabalho formal é essencial para a manutenção desse sistema, e, por consequência, para o Estado brasileiro.
Depreende-se, portanto, que medidas são necessárias para atenuar a problemática. Para tanto, o governo dos estados em parceria com cursinhos pré vestibulares particulares devem criar um projeto em escolas públicas de baixa renda, nas quais serão lesionadas, fora do período escolar, aulas com a participação de professores e utilizando o material dessas instituições, de modo a aumentar a chance desses jovens de ingressarem numa universidade e refrear o crescimento da população de ‘’nem-nem’’. Além disso, as escolas devem oferecer workshops gratuitos e abertos ao público em geral, que ensinem habilidades e conhecimentos básicos para facilitar a entrada no mercado de trabalho. Para que, assim, nenhum jovem permaneça na Terra do Nunca.