A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 07/09/2020

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6,6 milhões de jovens brasileiros não estudam e nem trabalham, a denominada geração “nem-nem”, o que caracteriza um fenômeno negativo para o país. Devido a esse cenário, há o aumento das desigualdades sociais e da submissão econômica frente ao mercado mundial, sendo, portanto, essencial combatê-lo.

De acordo com o sociólogo Karl Marx, os detentores dos meios de produção dominam a rentabilidade das fábricas; no século XIX, isso significou o início da desigualdade social, pois, grande parte dos trabalhadores, de baixa escolaridade, não estavam habilitados a empregos que exigiam maiores níveis de conhecimento. Atualmente, a mecanização completa da indústria repercute na ausência da necessidade de operários, fato que promove o desemprego estrutural, situação de países subdesenvolvidos na qual não há espaço no mercado de trabalho àqueles sem os diplomas requeridos para os postos disponíveis. Consequentemente, cresce cada vez mais o número de pessoas sem ocupação, o que compromete a economia e o bem-estar do povo.

Outrossim, a estagnação em outros setores do mercado faz o Brasil dependente de seu comércio agroexportador, cujas commodities geram baixa rentabilidade, o que ocasiona a submissão frente aos importadores; conforme dados da Confederação da Agricultura e da Pecuária do Brasil: dentre o PIB do agronegócio de 2019, apenas 30% da monetização provém da agropecuária em si. Nesse contexto, conclui-se que a melhor maneira de promover a estabilidade econômica de uma nação é por meio do investimento na qualificação dos habitantes, de forma que esses tornem-se aptos a produzir inovações tecnológicas, de maior valor agregado. Assim, a solução para a problemática da geração “nem-nem” reside na raiz de sua causa: a falta de investimento na educação da juventude, a qual impossibilita a inserção em empregos que demandam mais que uma mera atividade manual.

Desse modo, é de extrema importância que haja um maior comprometimento do governo com o ensino público. Logo, é fundamental que o Estado invista na capacitação dos indivíduos, mediante ao destino de maiores verbas ao Ministério da Educação, o qual deve criar centros de qualificação profissional que, além de prover a devida instrução, também sejam responsáveis por encaminhar os alunos a oportunidades de emprego condizentes com suas aptidões, com o fito de promover o desenvolvimento econômico-educacional da pátria. Além disso, para o sucesso do programa, é preciso que seja feita sua ampla divulgação, por intermédio de campanhas publicitárias nas redes sociais e no meio televisivo, as quais convoquem e motivem os jovens inativos a saírem dessa condição.