A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 23/09/2020
A geração “nem-nem” é marcada pelo grande índice de jovens que não estudam e nem trabalham no Brasil. Essa é cercada por um estigma a respeito desse jovem, quando na verdade a exclusão deste da educação e do mercado de trabalho está relacionada a problemas de descaso e de má gestão governamental. Nesse contexto, é preciso entender as causas que fomentam a falta de inserção dos jovens no estudo e no trabalho, bem como rever as consequências econômicas dessa prática, ressaltando a necessidade da tomada de ações por parte do Estado.
Em face desse questionamento inicial, é preciso esclarecer que índice de jovens que não estudam nem trabalham no Brasil afeta principalmente pessoas de classes sociais mais excluídas das possibilidades ofertadas. Isso ocorre devido a maior dificuldade desse grupo de se qualificar profissionalmente, em razão da ausência de investimentos públicos. Ademais, a falta perspectiva de futuro também fomenta esse cenário, considerando que, como enuncia os pensadores Daly e Wilson, a partir do conceito do “devaluing future”, a falta de expectativa contribui para que o indivíduo faça escolhas que não vão agregar para o seu futuro. Por conseguinte, fica claro que a geração “nem-nem” é um produto da falta de qualificação e de oportunidades, o que gera um desestimulo nesses jovens.
Ainda nessa linha de pensamento, convém analisar que o ato de não estudar nem trabalhar apresenta como uma ameaça para a economia brasileira, uma vez que leva à diminuição da população economicamente ativa. Aliás, não se pode negar que essa prática irá gerar um aumento das atividades informais no futuro, uma vez que o jovem desqualificado profissionalmente terá dificuldade de se inserir no mercado de trabalho formal. Sob essa ótica, ressona a ideia de Aristóteles, o qual afirma em sua obra “Política” que é dever do Estado suprir as necessidades da polis. Dessa forma, compreende-se que é responsabilidade do Estado brasileiro investir em meios para inserir os jovens no estudo ou no trabalho, uma vez que a exclusão destes gera um atraso no crescimento econômico a longo prazo.
Diante do exposto, urgem medidas para amenizar a problemática da geração “nem-nem”. Primeiramente, o Ministério da Educação, por ser responsável pelos assuntos referentes ao ensino no Brasil, deve melhorar a qualidade e aumentar as vagas das universidades federais, a partir de um maior direcionamento de verba para essa área, a fim de facilitar o ingresso do jovem no ensino superior e sua capacitação profissional. Ademais, cabe ao também órgão supracitado garantir a capacitação técnica dos jovens, por meio de investimentos em escolas técnicas e cursos capacitantes, objetivando a qualificação e a inserção deste no mercado de trabalho. A partir dessas medidas, espera-se resolver a problemática, de forma a desconstruir a geração “nem-nem”.