A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 23/09/2020
O termo “Geração nem-nem”, cada vez mais abordado na mídia, se refere a geração jovem do país que nem estuda, nem trabalha. Sabendo que o índice de jovens que fazem parte dessa geração no Brasil crescem de forma alarmante, se torna nítida a necessidade de discutir como combater tal problemática. Assim, é preciso questionar como a grade curricular brasileira estimula o aumento do numero de jovens que não estudam nem trabalham, bem como abordar a dificuldade de entrar no mercado de emprego formal como outro fator responsável pelo aumento de tais números.
Em face do questionamento inicial, é preciso esclarecer que a grade curricular brasileira é extremamente conteudista, a saber, muito do que é ensinado não serve para a vida adulta e profissional. Inclusive, observa-se com nitidez que essa configuração colabora para o abandono escolar, pois, ao lançar o olhar sobre a realidade, nota-se que os jovens não conseguem enxergar um sentido ou ter uma perspectiva de futuro em relação ao que aprendem. Nesse contexto, como alerta o educador Paulo Freire, é necessário que o modo de ensino esteja diretamente conectado com a realidade e objetivos do aluno. Por conseguinte, fica claro que o modelo educacional brasileiro é falho e deve ser transformado para que seja instrumento de crescimento do jovem e não um desestimulante.
Ainda nessa linha de pensamento, outro ponto relevante é o alto índice de desemprego, em virtude do baixo numero de vagas oferecidas para profissionais recém formados ou em época de estágio. Aliás, não se pode negar que ao não conseguir um emprego no mercado formal, muitos acabam desistindo ou entrando no mercado informal. Nessa conjuntura, se inicia um ciclo vicioso no qual o jovem, desempregado ou em um emprego que paga pouco e oferece condições precárias, não consegue continuar bancando seus estudos e se sustentando ao mesmo tempo. Dessa forma, compreende-se que os jovens não estão trabalhando e estudando por conta da falta de oportunidade oferecida no mercado para esses.
Diante do enunciado, urge a necessidade de mudança. Cabe ao Ministério da Educação, órgão responsável pelas diretrizes educacionais a nível federal, aumentar o gosto dos jovens pela escola, a partir da aplicação do projeto de reforma educacional do Ensino Médio, a fim de diminuir o índice de jovens que saem da escola pela falta de perspectiva de futuro e desestimulo gerado pela grade curricular. Ademais, é de responsabilidade do Governo Federal aumentar o numero de vagas oferecidas para jovens no mercado formal, por meio da criação de um programa de incentivo fiscal para empresas privadas que contratam esses indivíduos, a fim de diminuir a taxa de desemprego desta geração. Busca-se, assim, que o índice de jovens parte da geração nem-nem no Brasil diminua.