A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 23/09/2020

No poema “Canção do Exílio”, obra do renomado poema Gonçalves Dias, o eu lírico, um brasileiro exilado, orgulha-se e exalta, de maneira idealizada, algumas das belezas de sua terra natal. Todavia, ao lançar um olhar sobre a realidade contemporânea, no que se refere ao combate dos altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham, haverá, certamente, a desconstrução dessa concepção romantizada. A partir dessa constatação, cabe analisar de que forma as classes de baixa renda sofrem com os precários recursos impactam suas oportunidades, bem como inquirir como a falta de políticas públicas, principalmente no âmbito educacional, diminui a perspectiva de futuro da população jovem .

Em face dessa enunciação inicial, é essencial ressaltar que a população de baixa renda, além de não possuir recursos tecnológicos essências para o trabalho pós-moderno, possuem questões familiares que impedem um investimento na formação educacional dos jovens. Nesse contexto, tal dilema vai de encontro ao poema romântico, visto que, muitos adolescentes acabam tendo que desistir de um currículo escolar para começar a compor as rendas familiares, além do fato de que pela falta de recursos, previamente citados se tornam ultrapassados ao mercado atual. Desse modo, acabam tendo como única fonte de renda a ocupação de subempregos com péssimas condições de trabalho e por uma explorada remuneração, desistindo da conquista por uma vida melhor.

Ainda nessa linha de raciocínio, é necessário pontuar que a precariedade do serviço público de educação se encontra negligenciado, causando na perda de perspectiva de futuro dos jovens brasileiros que veem esse cenário como algo imutável. Essa problemática pode ser explicada pelo pensamento de Rousseau em sua obra, “Do contrato social”. Para o filósofo iluminista, é dever do Estado garantir o direito de seus cidadãos. Na esteira desse pensamento, nota-se que a negligenciação governamental, tanto na educação como em medidas alternativas que incentivam o ingresso dos mancebos, configura-se como uma violação do contrato social.

Sendo assim, medidas devem ser remediadas para minimizar essa nódoa. Inicialmente, cabe ao Ministério da Educação a implementação de disciplinas diversificadas que possuam a característica de atualização dos jovens frente as necessidades do mercado, a partir da disponibilização maior de recursos para a compra de computadores, a diminuição de jovens ultrapassados. De modo complementar, o Ministério da Economia deve oferecer um incentivo financeiro para as famílias de baixa classe socioeconômica, por meio da maior disponibilização de verba, com o intuito de incentivar uma profissionalização destes. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país aprimorado, almejando que a concretização da idealização nacional do poema possa contemplar a realidade.