A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 23/09/2020
Segundo o historiador Eric Hobsbawn, em sua obra “A era dos extremos”, no século XX, ocorreu uma profunda revolução moral e cultural, uma dramática transformação das convenções de comportamento social e pessoal. Ao considerar essa percepção histórica como ponto de partida para tecer argumentos sobre os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil, observa-se que houve um aumento preocupante nessas estatísticas, em razão da incompetência governamental em auxiliar e controlar esse entrave. Nesse sentido, é preciso analisar o motivo do aumento de jovens “nem-nem” no Brasil, bem como esclarecer os impactos sociais desse impasse.
A partir dessa contestação inicial, é preciso explicitar que o aumento dessa classe de jovens está ligado a falta de caminhos existentes no Brasil para o alcance de uma capacitação, seja estudando, seja trabalhando, devido às barreiras existentes que desestimulam os jovens. Inclusive, nota-se uma perda de mão de obra qualificada, pois os futuros profissionais, estão deixando de estudar e trabalhar. Por esse ângulo, não há dúvidas de que, como alerta, Zygmunt Bauman, os indivíduos contemporâneos tendem a agir na irracionalidade. Isso significa que, com relação ao Estado, é evidente que não age de forma racional ao não gerar oportunidades de capacitação paraíso futuros cidadãos, o que a irracionalidade tem determinado o aumento dos jovens “nem-nem”.
Ainda nesse contexto, não se pode esquecer de que esse tema não vem sendo muito debatido, até porque não é algo de grande visibilidade a curto prazo . Aliás, fica claro que os administradores públicos não possuem interresse nesse assunto, visto que estão preocupados na reeleição e em ações que demonstrem resultados imediatos. Nessa perspectiva, como alerta o filósofo Luc Ferry, é preciso entender que virtude e ação desinteressada são inseparáveis. Posto isso, basta lançar olhar sobre a realidade para constatar que essa inércia do governantes é prejudicial para a sociedade, em virtude de eles serem as únicas pessoas capazes de realizar algum tipo de transformação realmente eficiente.
É importante, então, buscar um caminho que possa reverter esse processo. Nesse aspecto, é imprescindível que o Ministério da educação estabeleça como objetivo reduzir o número de estudantes que evadem as escolas, implementando palestras e feiras culturais, para que o aluno seja estimulado a estudar para buscar maior capacitação e, consequentemente, maior espaço no mercado de trabalho. Outra medida necessária, a ser implementada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, deve ter como foco estimular as pesquisas no país, mediante incentivos fiscais para empresas que desejam financiar projetos científicos, com o propósito de aumentar o número de áreas de trabalho e prover maiores capacitações ao jovem. Com essas ações, há chances de reverter o aumento desse problema.