A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 28/09/2020
Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que 23% dos jovens brasileiros não trabalham e nem estudam. Por esse motivo, parte desse público encontrou na internet o local perfeito para dissipar suas frustações, traumas e preconceitos, como afirma o escritor italiano Umberto Eco: a internet deu voz aos imbecis. Isso, lamentavelmente, à custa da moeda mais valiosa do mundo: o tempo. Com efeito, para que a juventude do Brasil possa se desenvolver na educação e carreira hão de se combater os dois principais percalços dessa questão: o moderado incentivo estatal e a ociosidade.
Em primeiro plano, o discreto incentivo estatal figura como uma das principais causas para o desperdício de mão de obra juvenil produtiva no Brasil. A esse respeito, o filósofo John Locke disserta ser uma quebra do “Contrato Social”, em que o Estado detém - mas não é atuante - a função de organizar a sociedade. Nessa lógica, a atuação estatal é frágil, e funciona como uma sentença de pobreza e desemprego para o jovem carente que, de forma autônoma, não consegue se qualificar para dispor de uma vaga de trabalho, participando, portanto, de uma disputa desigual. Assim, a moderada atuação estatal, também, configura-se uma afronta a uma das peças-chave da cidadania: o emprego.
De outra parte, é válido pontuar o impacto do elevado percentual de jovens que nem estudam nem trabalham a sua (das milhões de pessoas dessa faixa etária em tal situação) própria qualidade de vida. Isso, decerto, ocorre por conta do pensamento do poeta grego Hesídeo de que “A fome é a companheira do homem ocioso”. Por conseguinte, o jovem cidadão brasileiro jogador de “Free Fire” e cancelador da internet – perfil, infelizmente, cada vez mais comum – de postura pouco proativa e sem determinação na busca por emprego e/ou em cursar uma graduação ou cursos de atualização, por exemplo, a fim de tornar-se mais competitivo no mercado de trabalho, está fadado à pobreza e a todos os males dela decorrentes: alimentação deficitária, má condição de moradia, acesso precário à saúde… Lê-se, portanto, como nocivo, diante de tão graves consequências, a imaturidade e omissão juvenis. .
Impende, portanto, apresentar caminhos para combater os altos índices de jovens ociosos no Brasil. Para tanto, o Congresso Nacional, deverá formular uma lei que obrigue as grandes empresas a destinar, no mínimo, trinta por cento da sua mão de obra para os jovens do pais, com o propósito de facilitar seu acesso ao ramo laboral. Além disso, os pais orientarão os filhos sobre a necessidade de obter remuneração para atender as suas necessidades básicas, com o fito de se construir jovens mais conscientes e indisponíveis às vulnerabilidades do mundo digital. Feito isso, em breve, a denúncia de Eco não será mais parte da realidade brasileira.