A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 26/09/2020

A partir do século XIX, com o advento da Terceira Revolução Industrial, o Brasil pôde consolidar seu sistema capitalista, potencializando suas capacidades produtivas. No entanto, a realidade atual demonstra a permanência de condições estruturais que tolhem o crescimento da nação. Exemplo disso, os elevados índices  de jovens que nem estudam, nem trabalham, demonstrando o atraso do país no panorama mundial. Diante desse cenário, cabe questionar a conjuntura socioeconômica brasileira, indicando o papel da legislação e das políticas públicas, além de inquirir de que modo a precariedade educacional exacerba essa problemática.

Inicialmente, é preciso considerar a grande desigualdade de oportunidades que marca a nação, marginalizando grupos de menor poderio econômico. Nesse contexto, como apontado por Karl Marx, em “O Capital”, a exploração irrefreada dos trabalhadores é um fator do esfacelamento do capitalismo, na medida em que impede a ascensão social, desacelerando a garantia de melhor qualidade de vida para a população e gerando desemprego. Partindo desse pensamento, verifica-se que a baixa adesão dos jovens ao emprego formal ocorre, não por desinteresse, mas devido a uma estrutura que tolhe a oferta de trabalho e as perspectivas de uma vida digna.

Ainda nesse raciocínio, é relevante pontuar os baixos investimentos governamentais na ampliação do ensino básico e do ensino superior, o que faz perpetuar a exclusão de milhares de jovens brasileiros. Aliás, a deficitária qualificação profissional é um fator central da conjuntura observada, uma vez que aumenta a demanda por trabalhos com menores exigências curriculares, elevando o desemprego nesse âmbito, enquanto cargos mais altos permanecem desocupados. Além disso, o desnivelamento do ensino público, em relação ao privado, desestimula a continuação dos estudos nesses grupos, tanto pela dificuldade de adentrar e se manter em uma Universidade, por exemplo, tanto pela desesperança quanto a reais perspectivas de ascensão social.

Tendo em vista todo o panorama apresentado, urgem medidas que revertam esse cenário. Para tanto, é dever do Ministério da Economia, em parceria com o setor privado, discutir a expansão de programas de inserção de jovens no mercado de trabalho, ofertando mais vagas e benefícios como alimentação e transporte, com o fito de diminuir a ociosidade econômica desse grupo e de incentivar a produtividade. Ao Ministério da Educação, em paralelo, compete investir na capacitação profissional, por meio da criação e da ampliação de programas de financiamento e de bolsas estudantis, além de desenvolver, no ensino básico, projetos de orientação de carreira, visando a encorajar os estudos e a capacitação desses indivíduos. Feito isso, o Brasil poderá fortalecer seu modelo produtivo.