A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 13/10/2020

Após a proclamação da república, em 1889, diversos símbolos pátrios passaram por um processo de substituição, incluindo a célebre bandeira nacional. Inspirado nos ideais positivistas, o lema de “Ordem e Progresso” se fixou como característica marcante da identidade brasileira e perdura até os dias atuais. Entretanto, ao sair do campo teórico e analisar a quantidade de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil, nota-se que os termos idealizados na bandeira não se concretizam, já que a desigualdade social e as falhas no sistema educativo inviabilizam o progresso e a resolução do entrave.

Primeiramente, é importante ressaltar o papel que a desigualdade social possui no agravamento da problemática. Segundo o político Adenauer, todos vivem sob o mesmo céu, mas nem todos sob o mesmo horizonte. Nessa lógica, é lícito afirmar que, apesar de possuírem direitos iguais, os jovens brasileiros vivenciam circunstâncias opostas, visto que uma parte da juventude é obrigada a abdicar de alguns direitos por conta de seus deveres para com o sustento da família que, devido à baixa renda, necessita da cooperação financeira de todos os integrantes. Desse modo, alguns jovens abandonam os estudos em busca de subempregos, tornando o acesso à educação e ao ramo laboral desproporcional.

Outrossim, os defeitos no sistema educacional são fatores que dificultam a resolução do problema. Apesar da existência de universidades públicas e programas de bolsas para instituições privadas, o índice de jovens que não estudam, no Brasil, ainda é alto, pois poucas pessoas têm acesso à uma educação básica de qualidade - de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade, em 2019, foi estimada em 6,6% (equivalente a 11 milhões de analfabetos) -, o que lhes impede de garantir um bom aproveitamento nos vestibulares, que são a “porta de entrada” para o ensino superior. Dessa forma, por não possuírem a qualificação profissional necessária no mercado de trabalho, esses indivíduos tornam-se parte da juventude “nem-nem”, que consiste nos jovens que não estudam nem trabalham.

Urge, por conseguinte, que medidas sejam tomadas com o intuito de se coibir o problema discorrido. Sendo assim, o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, juntamente com o Ministério da Educação, devem criar políticas públicas direcionadas à população de baixa renda - que recebe menos de um salário mínimo por mês -, por meio de ações sociais, como a disponibilização de aulas de reforço em ambientes públicos - escolas e praças, por exemplo - e a distribuição de cestas básicas semanal ou mensalmente, a fim de que todos os jovens brasileiros possam usufruir de seus direitos igualmente.