A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 07/10/2020

“O homem é a medida de todas as coisas.” Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente aos jovens que não estudam e nem trabalham, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, há uma intensa necessidade de se combater os altos índices de jovens em situação de nem-nem, o que advém devido à acentuada negligência governamental quanto a falta de políticas afirmativas para essa parcela da população.

Em primeira análise, convém frisar a extrema importância de destacar a etapa juvenil, como um período em que os indivíduos estão na melhor fase cognitiva, na qual estão aptos a desenvolver novas formas de conhecimentos, além de eficientes atividades laborais. Entretanto, apesar dessas múltiplas qualidades, o Poder Público não contribui para que ela seja colocada em prática,haja vista que a ausência de políticas afirmativas, como investimentos na abertura de empregos atrativos e cursos gratuitos, perpetuam os altos índices de jovens que nem estudam e nem trabalham. Nesse contexto, segundo o célebre filósofo Tomas Hobbes, o Estado é o responsável pelo bem-estar social. Contudo, o governo tem colocado barreiras no desejo dos jovens de voltar aos estudos e ao mercado de trabalho, principalmente pela falta de serviço na localidade, por não conseguirem empregos considerados adequados ou por não terem experiências e qualificação profissional.

Ademais, os desafios para superar esses entraves são inúmeros. Nessa lógica, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, entre as mulheres, 67,7% delas, estão sem procurar alguma ocupação remunerada. Sob essa ótica, as justificativas apresentadas estão os afazeres domésticos e o cuidado com os filhos ou parentes, na medida que para conseguirem trabalhar ou estudar, essas mulheres precisariam colocar o filho em uma creche ou ainda contratar alguém para ficar com ele no restante do tempo. Sendo assim, fica evidente que a falta de políticas públicas, majoritariamente na abertura de creches, ou na falta de recursos para o ensino a distância corrobora com os jovens em situação de nem-nem.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas atenuantes. Assim, cabe ao Estado, o papel primordial de investirem na abertura de novos empregos, além de cursos gratuitos, por meio de plataformas por ensino a distância, as quais as mães consigam estudar em casa, de modo a garantir um amplo aprendizado, haja vista a falta de tempo tanto por essas mulheres, como para os jovens sem perspectiva, para que assim, haja uma mobilização, a fim de transmudar a realidade dos nem-nem.