A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 09/11/2020
Na obra “Capitães da Areia”, de Jorge Amado, é retratada a história de jovens que, por não terem formação educacional e oportunidade de trabalhar, sobrevivem por meio da criminalidade. Entretanto, ao analisar-se o cenário brasileiro, pode-se perceber que tal história não é apenas ficção, uma vez que uma parcela da população não trabalha e nem estuda, o que pode contribuir para o aumento da criminalidade no país. Esse problema é grave, pois é decorrente da ineficácia estatal, aliada à falta de incentivo ao estudo por parte das famílias.
Antes de tudo, é válido destacar que a inércia governamental é um fator determinante para que os jovens se mantenham fora do ambiente escolar e do mercado de trabalho. Consoante a isso, o economista britânico John Maynard Keynes afirmava que é dever do Estado garantir o bem-estar social dos seus cidadãos. Sob essa óptica, é possível compreender que a absurda falta de investimentos públicos em escolas e em centros de capacitação profissional é um fator propulsor para situação, visto que, sem condições estruturais mínimas nos centros educacionais, os jovens não se sentem atraídos, o que gera desemprego, porquanto as empresas não contratam indivíduos sem formação educacional. Tal afirmação pode ser evidenciada pelos dados divulgados, em 2017, pelo Censo Escolar, os quais afirmam que 10% das escolas não possuem água, tratamento de esgoto e energia, o que coopera para que a história de Jorge Amado se torne realidade.
Outrossim, a ausência de incentivo ao estudo e ao ingresso no mercado de trabalho por parte das famílias é outro agravante para o problema. Paralelo a isso, o sociólogo Emile Durkheim afirmava que é na infância que os indivíduos aprendem os valores éticos e morais da sociedade em que vive. Assim, pode-se entender que a falta de discursão sobre a importância do estudo e do trabalho nos ambientes familiares faz com que os jovens não se interessem pela educação e pelo mercado profissional. Isso pode ser comprovado pelas informações divulgadas, em 2017, pelo portal G1, as quais mostram que 74% dos brasileiros não se interessam por qualificação profissional.
Diante do exposto, o governo federal, responsável por administrar as questões que afetam todo o país, deve garantir com que os jovens brasileiros tenham formação educacional e possam ingressar no mercado profissional, por meio reformas nas escolas e ampliação dos centros de capacitação, a fim de formar indivíduos capacitados para o mercado de trabalho. Além disso, deve, por meio de parcerias com as emissoras difusoras de conteúdo, criar campanhas nos meios de comunicação, rádio e televisão, sobre a importância do estudo e do trabalho para indivíduo, com o fito de não só conscientizar as famílias, mas também tornar a história de Jorge Amado apenas ficção.