A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 23/11/2020

Consoante dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mais de 70% dos jovens brasileiros, principalmente mulheres, compõem a geração conhecida como ‘’nem-nem’’, assim, surge a problemática da necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham à realidade do país. Por conseguinte, tal sentença mostra os aspectos negativos à sociedade, dessa feita, é imperativa a ampliação de ações para mitigar tal impasse. Além disso, é relevante abordar tanto a desigualdade de gênero, quanto a crise econômica.

Em primeira análise, cabe ressaltar o desequilíbrio estrutural e a estereotipação feminina advinda desta. Exemplo disso é visto no filme ‘’Simplesmente Acontece’’, o qual retrata a personagem Rosie, grávida aos 18 anos, que, após ser abandonada pelo pai da criança – apoiado pelos pais – desistiu da universidade para cuidar da filha. Nessa perspectiva, a herança patriarcal – mulher como dona de casa e homem ausente de responsabilidades paternas – compromete o futuro profissional da mulher visto que essa não só abandona os estudos, como também a deixa prejulgada pela comunidade, enquanto o pai foge de seus deveres sem julgamentos. Logo, medidas são necessárias para atenuar esse fato.

Em segundo plano, o desemprego estrutural juvenil corrobora para a situação econômica vigente e as limitações resultadas por esta. Segundo o sociólogo Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir, mas também de pensar, dotada de exterioridade, generalidade, além da coercitividade. Seguindo esse raciocínio, a inocupação impede a concentração de recursos aquisitivos o qual, por muitas vezes, é a renda necessária para custear o ensino desses indivíduos, levando-os a compor o cenário de abandono universitário. Por consequência, isso dificulta não só o desenvolvimento acadêmico dos supracitados, mas ainda o avanço social e educacional do país. Assim, deve-se instituir ações para fomentar essa conjuntura.

Evidencia-se, portanto, que há entraves quanto à ocupação dos jovens, tendo a desigualdade, mas também o desemprego como fato social. Dessarte, urge ao Ministério da Educação a implementação de ações educativas – aulas e palestras de ensino à distância – em tempo real, por meio de plataformas da própria instituição, frequentada pela gestante/mãe, para que esta consiga conciliar a maternidade com os estudos, minimizando o abandono deste. Assim como, o Governo Federal deve investir parte de sua verba, na geração de empregos para a juventude, principalmente aos universitários em débito com seus núcleos de ensino, estimulando-os a prosseguir com os estudos junto com o trabalho, a fim de gerar capital ao país. Dessa forma, garantir-se-á redução nos índices de jovens que nem estudam nem trabalham.