A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 27/11/2020
Um indivíduo em desespero, ao passo que, em seu entorno, personagens mostram-se apáticos a esse sofrimento. É isso o que se observa no quadro “O grito”, do pintor Edvard Munch. Contudo, essa indiferença frente às adversidades alheias não se limita à obra expressionista, já que, no Brasil, os jovens que nem estudam e nem trabalham têm sido negligenciados por determinados setores da sociedade. Nesse prisma, cabe analisar o baixo acesso à formação educacional e a falta de políticas profissionalizantes no país.
De início, pontua-se que o Poder Público tem se mostrado omisso ao permitir o elevado número de jovens que não estudam. Isso porque existe uma deficiência no processo de assistência estudantil, uma vez que falta ampliar, por exemplo, o número de vagas nas universidades públicas e escolas técnicas, o que dificulta o acesso a uma formação educacional digna, podendo acarretar prejuízos futuros de oportunidades profissionais. Vê-se, então, que o Estado não tem assegurado o bem-estar de toda a coletividade, demonstrando um desrespeito aos princípios previstos na Constituição Federal de 1988.
Ademais, enfatiza-se que aceitar o alto índice de desemprego dessa juventude é banalizar o mal. Porém, parte da sociedade tem apresentado certa resignação diante do baixo investimento estatal em políticas para reverter esse cenário, visto que falta o governo oferecer cursos profissionalizantes aos jovens, o que prejudica a qualificação laboral destes e, com isso, o ingresso no mercado de trabalho formal. Desse modo, constata-se que a naturalização dessa problemática corrobora os estudos da filósofa Hannah Arendt, posto que, segundo ela, a massificação social tem comprometido a capacidade crítica das pessoas, fazendo com que aceitem, de maneira inerte, quadros negativos.
Infere-se, portanto, que os jovens devem ser incluídos nos âmbitos educacionais e trabalhistas. Logo, é necessário que o Estado, a partir de ações do Poder Executivo, ofereça uma maior assistência estudantil, direcionando verbas à ampliação do número de vagas nas universidades públicas e escolas técnicas, com o intuito de facilitar o acesso ao ensino superior e assegurar, dignamente, a formação educacional da juventude. Além disso, organizações não governamentais devem, por meio da realização de campanhas midiáticas, sensibilizar a população sobre a importância de não se manter resignado diante do alto índice de desemprego entre os jovens, potencializando, com isso, a mobilização coletiva em prol de investimentos estatais no oferecimento de cursos profissionalizantes, a fim de promover a qualificação daqueles e facilitar o ingresso no mercado de trabalho. Dessa forma, a indiferença frente às adversidades alheias poderia se restringir à obra de Munch.