A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 02/01/2021
Na música “Faroeste Caboclo” do Legião Urbana, o personagem João do Santo Cristo teve uma infância difícil, na qual, por diversas razões, não trabalhou e nem estudou. No entanto, fora da ficção, existe a necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam, nem trabaham, a fim de se evitar suas desastrosas consequências, como o despreparo profissional e a passividade perante problemas. Sendo assim, deve-se focar em suas causas, como a pobreza e a grande proteção parental.
Em primeiro lugar, vale destacar que a vulnerabilidade socioeconômica é um fator que contribui para a perpetuação do problema. Prova disso, é a vida do escritor malauês William Kamkuamba, o qual, por ter uma infância de extrema pobreza, enfrentou enormes dificuldades para trabalhar e estudar, ao ponto de quase abrir mão do ensino que recebera. Nesse sentido, é nítido afirmar que a falta de recursos financeiros é um perpetuador da problemática, visto que, por haver uma necessidade de o jovem ajudar no sustento familiar, não lhe resta tempo para uma dedicação escolar adequada, o que o obriga a deixar a escola para buscar por emprego. Todavia, devido à inexperiência laboral e à ausência de qualificação profissional, os mais novos, muitas vezes, não conseguem achar um trabalho e seguem nessa busca interminável até que estejam completamente desqualificados para o mercado profissional, dando início a um ciclo vicioso de desemprego e baixa escolaridade.
Ademais, a superproteção que os pais exercem nos filhos cria pessoas incapazes de lidar com a frustração. Nesse viés, o psiquiatra Ricardo Krause afirma que, pelos pais temerem que suas crianças sofram, acabam por não frustrá-los, quando necessário. Assim, é possível concluir que esses indivíduos viram jovens completamente inqualificados para lidar com obstáculos, já que, por não ter havido um preparo prévio para enfrentar o sofrimento realizado pela família, esses cidadãos se curvam diante de seus primeiros problemas. Dessa forma, quando o adolescente não vai bem na escola, ele já pensa em deixá-la e buscar um trabalho, no qual, também, não conseguirá lidar com as adversidades, tornando-se um ônus social.
Portanto, fica evidente a gravidade da questão, o que requer uma intervenção. Logo, o Governo Fe-deral deve criar um programa de destinação de renda para famílias que possuam menos de 2000 reais por mês no total. Tal programa deverá pagar um valor mensal inversamente proporcional à quantidade total de dinheiro da família até que, com a soma dos valores, ela consiga ter, ao menos, 2000 reais mensalmente. Isso deve ser feito por meio do cadastramento dos dados bancários do chefe de família, para que os jovens não precisem deixar de estudar para ajudar seus pais e possam focar, efetivamente, nos estudos.