A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 26/01/2021

Sob a perspectiva do sociólogo alemão Karl Marx, o trabalho é a fonte de realização humana. Entretanto, essa satisfação advinda do trabalho não se faz presente entre boa parte dos jovens brasileiros, visto que, além de não trabalharem, estão afastados de instituições de ensino que os qualificariam para ocupar vagas de emprego. Tal cenário crítico tem entre suas origens a negligência estatal e resulta no agravamento das desigualdades sociais no Brasil.

Primeiramente, vale destacar que, segundo o filósofo Thomas Hobbes, o Estado é responsável pela garantia da harmonia social. No entanto, esse papel não é cumprido de forma efetiva pelo Estado brasileiro, uma vez que ele não fornece aos cidadãos uma educação pública de qualidade, restringindo o ingresso de jovens em universidades capazes de prepará-los para o mercado de trabalho. Por conseguinte, em um mundo globalizado que exige cada vez maiores capacitações de seus trabalhadores, a desqualificação dos jovens os distancia da empregabilidade.

Ademais, a falta de estudo e a ausência de emprego levam à perda de mobilidade social no Brasil. Na Idade Média, por exemplo, não eram proporcionados aos servos qualquer possibilidade de ascender socialmente- como educação- mantendo e reforçando as disparidades sociais da época. Analogamente, não garantir aos jovens brasileiros profissionalização adequada para ascenderem socialmente agrava as disparidades já latentes no Brasil. Assim,  a sociedade brasileira cada vez mais se aproxima da conjuntura socialmente estática do período medieval.

Destarte, urge que medidas sejam tomadas para frear a problemática. Para isso, é crucial que o governo federal, por meio de verbas orçamentárias, invista na expansão do  ensino médio e técnico de qualidade, voltado tanto para a preparação dos jovens para o mercado de trabalho quanto para a aprovação no vestibular. Assim, esse grupo terá uma qualificação ideal para futuras vagas de emprego e, consequentemente, para reduzir as desigualdades no Brasil.