A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 20/07/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em 1948, defende que todo ser humano tem direito ao trabalho e à instrução educacional. Entretanto, nota-se, contemporaneamente, que os jovens brasileiros, em grande parte, não têm oportunidades de trabalhar e/ou cursar o ensino superior. Tal fato pode acarretar em crises existenciais por parte dos jovens, que se sentem inúteis socioeconomicamente, além disso, o atraso instrucional dos brasileiros gera déficit de mão de obra qualificada no país.

Primeiramente, é preciso elucidar que o trabalho é uma forma de inserção social, ou seja, o labor torna a existência do indivíduo funcional. Segundo a British Broadcasting Corporation (BBC) Brasil, em cenários de crise econômica, com crescentes taxas de desemprego, os índices de quadros depressivos aumentam consideravelmente, inclusive entre pessoas mais novas. Nesse contexto, percebe-se que a falta de emprego, principalmente em sociedades capitalistas como o Brasil, gera cidadãos doentes, os quais deslocados dos meios produtivos se sentem à margem do modelo de convivência vigente.

Outrossim, pode-se notar que a falta ou o atraso de instrução a nível técnico e superior acarreta em gerações de jovens desqualficados profissionalmente, atrasando o desenvolvimento econômico da nação. De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em 2019, 50% das indústrias brasileiras afirmaram ter problemas para encontrar mão de obra qualificada no país. Logo, fica evidente que a falta de acesso dos jovens à qualificação educacinal tem atrasado o desenvolvimento nacional, e esse cenário fica pior quando comparamos a necesidade de contratação da indústria com os 31% de jovens entre 18 e 24 anos desempregados no Brasil em 2021, criando um parodoxo, pois há demanda do mercado de trabalho e mão de obra ociosa incapaz de ocupar as vagas de emprego.

Desse modo, faz-se necessário criar medidas que assegurem o pleno emprego dos jovens juntamente com a oportunidade de qualificação profissional. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Economia, por meio de isenções fiscais, estimule as empresas a ofertar o primeiro emprego aos jovens, para que, assim, eles se sintam cidadãos úteis e inseridos socialmente. Ademais, é preciso que o Ministério da Educação expanda a oferta de cursos técnicos e superiores gratuitos, dessa maneira, possibilitando o aumento de mão de obra qualificada entre os jovens brasileiros. Feito isso, o Brasil poderá evoluir para uma sociedade em que as oportunidades de emprego e estudo, assim como afirma a DUDH, é direito de todos.