A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 27/05/2022
No seriado da Netflix, “Alice in Borderland”, é retratada a vida do personagem Arisu, um jovem viciado em videogames, que não tem emprego e não estuda. Fora dos limites cinematográficos, infelizmente, a realidade brasileira se assemelha à série, pois uma parcela considerável dos jovens encontra-se na mesma situação de Arisu: não trabalham nem estudam. Desse modo, faz-se urgente debater as principais causas desse óbice: a falta de oportunidade e o descuido familiar.
Dessa maneira, é pertinente afirmar que a inoportunidade é uma causadora da juventude desempregada e sem conhecimento. Sobre isso, no livro “Sociedade do Cansaço” o filósofo sul-coreano, Buyng-Chul Han defende que a sociedade atual naturalizou a cobrança excessiva, pela alta performance e por resultados, ou seja, a sociedade atual vive numa era de super produção de trabalho. Incluído a isso, as companhias e instituições dão prioridade a jovens com experiência. Entretanto, a falta de ensejo à juventude não permite que a mesma tenha o empirismo vital para tal trabalho e estudo e isso, por sua vez, gera um impasse na hora de se ingressar em uma instauração. Assim, fica clara a diligência em resolver esse dilema.
Ademais, é válido salientar que a negligência da família é um sustentáculo para a desocupação e insciência da juventude. A respeito disso, o sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, explica no livro “Modernidade Líquida”, que as relações sociais modernas são frágeis e maleáveis, como os líquidos. Nesse sentido, a realidade das relações entre pais e filhos vão de acordo com o conceito do sociólogo, pois há a falta de diálogos sólidos e incentivo familiar sobre o tema e, dessa forma, os filhos se sentem desamparados, o que contribui para não buscarem o estudo e trabalho.
Infere-se, portanto, que é de urgência sanar o desemprego e o desconhecimento jovial. Assim, cabe ao Estado - promotor do bem estar social -, juntamente com as Instituições de ensino, realizar projetos acerca do tema e tornar o Programa Jovem Aprendiz mais eficiente, por meio de campanhas publicitárias, com o objetivo de incluir e preparar os jovens para o mercado de trabalho. Somado a isso, a família, primeiro núcleo social do indivíduo, deve promover conversas sólidas com os filhos sobre o tema, a fim de que haja confiança e harmonia familiar. Assim, casos como o do Arisu, seriam vistos apenas em séries.