A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 28/08/2022

Brás Cubas, o defunto-autor de Machado de Assis, diz, em suas “Memórias Póstumas”, que não teve filhos e não transmitiu a nenhum ser vivo o legado da nossa miséria. Talvez hoje ele percebesse acertada sua decisão: a postura de muitos brasileiros frente à elevada taxa de jovens desempregados e fora das escolas é uma das faces mais perversas de uma sociedade em desenvolvimento. Com isso, surge a problemática do ladeamento, que persiste ligado à realidade do país, seja pela insuficiência estatal, seja pela ineficiência midiática no tema.

Nessa perspectiva, a ingerência governamental prevê uma educação que limita a instrução social, de modo que a população não esteja apta para lidar com o ingresso no mercado de trabalho ou nas universidades. Assim, situa-se o ensaio “Pedagogia do Oprimido”, do pedagogo brasileiro Paulo Freire, o qual caracteriza o ambiente escolar como uma ferramenta de exclusão que eleva a opressão para a parcela populacional que frequentou unidades de ensino muito precárias. Deste modo, rememora-se a evasão escolar vivenciada por Brás Cubas.

Além disso, é inegável como a manipulação midiática alicerça a manutenção da desocupação da juventude, pois os veículos de comunicação valorizam uma perspectiva individualista, assim margeiam os outros fatos. Dessa forma, a análise da conjuntura precária, que cerca o aumento das taxas de ociosidade, é silenciada na mídia por não ser um assunto lucrativo. Essa reflexão defronta-se na afirmação de Zigmunt Bauman, para quem “Na era da informação, a invisibilidade é equivalente à morte”, visto que a pouca visibilidade direcionada à problemática perpetua o problema observado pelo patrono da educação brasileira.

Infere-se, portanto, uma agrura no cenário nacional. Por conseguinte, o Poder Executivo deve, por meio da utilização das verbas da União, efetuar uma reforma no ensino brasileiro que deve teorizar a juventude sobre os cruciais estudos da contemporaneidade, desta maneira, trará uma melhora na grade curricular e na formação acadêmica base para os brasileiros. Além disso, torna-se fundamental a criação de oportunidades de emprego ao sair das instituições acadêmicas, conforme a efetivação de matérias escolares para a vocação profissional dos jovens. Logo, será possível a extinção de um legado histórico miserável.