A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 01/11/2022
No filme “Divergente” os jovens, ao completarem 16 anos, finalizam seus estudos e são direcionados a optarem por uma das cinco facções existentes, em prol do desenvolvimento da cidade. Diferentemente da ficção, no Brasil esse cenário não se concretiza, visto que os índices de jovens que nem trabalham nem estudam são alarmantes. Isso ocorre não só devido às desigualdades persistentes, mas também em razão da inobservância estatal. Acerca disso, cabe uma discussão para que se possa entender os prejuízos advindos dessa perspectiva.
Em primeira análise, é importante citar como o Estado brasileiro influencia na existência da geração “nem-nem”. Nesse sentido, de acordo com o artigo 128 da Constituição Federal, é garantido os incentivos fiscais à ciência, tecnologia e inovação voltados para o desenvolvimento do país. No entanto, esse cenário não é perceptível nessa nação, já que, nos últimos anos, os investimentos têm sido reduzidos, resultando na diminuição de bolsas de pesquisa em universidades e institutos federais. Dessa forma, os jovens que encontram na pesquisa a oportunidade financeira de manter-se em seus cursos acabam por desistir.
Paralelo a isso, vale ressaltar que a persistência das desigualdades sociais dificulta a participação dos futuros adultos no crescimento econômico do país. Nesse viés, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, o Estado possui o monopólio da violência simbólica, que, apesar de sútil, perpétua as diferenças socioeconômicas. Dessa maneira, as minorias da sociedade brasileira não se encontram em igualdade de acesso com a parcela mais privilegiada, visto que, o dinheiro, no sistema capitalista, tornou-se o regulador das ofertas de estudo e trabalho. Desse modo, o contingente de jovens marginalizado necessita de mais oportunidades.
Depreende-se, portanto, que é de extrema necessidade combater a geração “nem-nem” do Brasil, em benefício do crescimento econômico e tecnológico. Posto isto, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, desenvolver políticas públicas de incentivo que ampliem a oferta de pesquisa nas redes estaduais e federais de ensino. Essa iniciativa deve ser efetuada por meio da inserção de laboratórios equipados e da contratação de profissionais capacitados, para que assim, o Brasil torne-se evoluído como no panorama do filme.