A necessidade de debater as doenças mentais

Enviada em 20/04/2018

Claramente, as doenças mentais têm sido negligenciadas por parte do governo e da população. Atualmente, cerca de 20% da população adulta tende a sofrer de doenças mentais, como a depressão, a mais famosa e com maior índice de incidência, chegando a ocorrer em 10% da população masculina e 6% da população das mulheres. Apesar dessas estatísticas, cerca de entre 75% e 85% das pessoas que sofrem com essas doenças ainda não têm acesso ao tratamento adequado.

No Brasil, aproximadamente 23 milhões de pessoas sofrem com doenças metais, sendo que 5 milhões no estado moderado a grave. Mesmo assim, é possível notar um certo desrespeito por essas doenças no governo e na população. Em relação ao governo, em 2001, foi criada a lei Paulo Delgado, que trata, entre outras coisas, da garantia dos direitos, da proteção e auxílio no tratamento às pessoas com doenças mentais. A lei estava prevista para entrar em rigor na data de emissão. Porém, ainda hoje, não há a aplicação desses benefícios prevista na lei e muitos pacientes ainda não podem contar com eles.

Não só o governo ignora as doenças mentais, mas a população em geral não tem conhecimento da gravidade desses problemas. Um fato que comprova a indiferença das pessoas está relacionado às redes sociais. Muitos criadores de conteúdo usam a palavra depressão, esquizofrenia e até bipolaridade como piada. Também não é incomum ouvir expressões como: “estou na depressão, hoje”, “ele é tão estranho que parece esquizofrênico” ou até “acordei bipolar”. Esses são exemplos de frases que em alguns lugares são mais comuns, em outros menos, mas mesmo sendo incomum, são usadas com tom de brincadeira e gozação, enquanto milhões de pessoas sofrem pelos sintomas dessas doenças.

Felizmente, ainda existem pessoas que se oferecem para ajudar as vítimas dessas doenças. Apesar de atuarem sem auxílio governamental, algumas entidades como a ADEB, Associação de Apoio para Depressivos e Bipolares, vem ajudando com auxílio profissional voluntário, pacientes que sofrem com essas doenças, sobrevivendo através de doações voluntárias. Mesmo sendo apenas Organizações Não-Governamentais, pelo menos é um incentivo para que, adiante, haja o devido apoio às vítimas de doenças mentais.