A necessidade de debater as doenças mentais
Enviada em 22/04/2018
De acordo com a Casa Saúde Santa Catarina, “doença mental” é o termo usado para descrever qualquer anormalidade de ordem psicológica e/ou mental, que geralmente aparece quando a pessoa que dela sofre deixa de se relacionar de forma funcional com o mundo. As psicopatologias tem sido observadas desde 500 a.C., quando Hipócrates, considerado o pai da medicina, já tinha dado a um desses distúrbios o nome de “melancolia”. Mesmo com um conceito tão abrangente e tendo sido descobertos por mais de mil anos, os transtornos mentais, entretanto, ainda são motivo de preconceito e marginalização para com os enfermos, seja pela falta de tato quando se estudam tratamentos, pelo paradigma imposto sobre esse tipo de doença ou pela falta de discussões sobre.
O primeiro método usado para tratar distúrbios mentais, criado em 1547, afirmava que vários cortes deveriam ser feitos no corpo do doente para que a os seus desequilíbrios saíssem junto com o sangue. A técnica era rudimentar e sem fundamento, porém compreensível para a época e as tecnologias então existentes. Lidar com doenças mentais como se fossem tangíveis e facilmente solucionadas com tratamentos práticos, entretanto, foi uma realidade até a década de 50, onde os primeiros comprimidos foram inventados. Essa situação toda só nos mostra como esse é um problema que demanda estudo, tempo e preocupação e que, infelizmente, ainda não virou prioridade no espectro social atual.
Outro agravante para a discriminação feita em relação a quem sofre de psicopatologias é o estigma que foi criado onde doenças mentais são tratadas como sinal de fraqueza, incompetência ou até frescura, o que faz com que não se fale tanto sobre tais enfermidades e cria um estereótipo onde só é doente quem quer. A falta de informação e discussão ao redor dos transtornos psicológicos, ademais, deixa quem sofre disso completamente perdido, sem saber s está doente ou não, onde ir ou a quem procurar, dificultando ainda mais o tratamento.
O cenário em que vivemos em relação a esse tópico não é agradável, mas não precisa de muito para mudar. Parafraseando Immanuel Kant, nós somos fruto da nossa educação, portanto, se quisermos mudar a abordagem da sociedade em relação aos transtornos mentais, nada mais coerente do que começarmos pela educação e ensino. Só com a implementação de debates nas escolas, palestras apoiadas pelo governo que abordem esse tópico e divulgação de mais informações sobre por parte da imprensa e meios de comunicação é que acabaremos com um quadro que não afeta só quem tem depressão, ansiedade ou TDAH, mas, de certa forma, afeta também o nosso desenvolvimento social como um todo.